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Terça-feira, 27 de Dezembro de 2005

…Far…



Como é possível estar rodeado do verde mais puro, a floresta mais densa e povoada e sentir falta de ar?
Como é possível ter chegado até aqui…e sobretudo pensar como foi possível permanecer…? Essa é mais uma parte em que não me reconheço…nem sei bem onde me perdi. Até hoje.
Conhecemo-nos e numa sucessão natural das coisas envolvemo-nos…era uma pessoa assim, de peito aberto. Em que altura se tornou em algo anti-natura? Onde me tornei numa pessoa sem espaço no peito em que respirar ou enchê-lo de ar se antevê uma tarefa quase quimérica?
Senti-me preso, mas não de forma agradável e natural…de onde surgiram as ameaças e o afastamento quase cirúrgico de pessoas que me eram queridas…? Como foi possível tornar-me o cego, que não via nem queria ver? De onde veio o que me tolhia…e que me fazia encolher perante tudo…nada…e no entretanto? Como de uma pessoa que me acompanhava, te transformaste…e nos transformaste em algo que nem sei bem como descrever…Sinto-me incapaz de sentir…que torpor, amargo… em vez de companhia, segues, em vez de estar persegues, em vem de permanecer, controlas…? As perguntas que surgem quanto de chego nem são primeiramente se estou bem, se estamos bem…mas quem está a interferir para me levarem de ti…? Não percebes? Quem me levou de ti, foste tu mesma, mérito teu...e meu, que já não quero ficar…
Quando estamos com quem nos devíamos sentir bem, fazes de uma saída um inferno…persegues de forma indelével, ou nem tanto…isso era outrora, quem me rodeia…quem já partilhava comigo a minha vida…os meus amigos, aqueles que não escolheste ou controlas e que se recusam a ceder…a ceder-me a ti…
Vejo-os a tentarem que não desista de mim, mas mostrando que sou eu que tenho de fazer o caminho...mas é difícil reconheço…conseguiste fazer com que fosse difícil, e eu concedi, cedi e oscilei… Mea Culpa….balancei até os pés irem pelos ares…e não conseguir alcançar o chão… falta de hábito agora… não faço a mínima como vai ser…mas agrada-me não ter planos… Mas sentir o ar que respiro, o espaço que circulo controlado, com direito a verificação do ar por ti, para ver se posso ou não ficar…não mais! Não te concedo mais isso!
Sei que duvidas que consiga…Nem eu sei se conseguirei, isso concedo-te a dúvida, pois também a tenho…faz parte de mim…

O meu grito é aqui e agora, sem pensar muito bem nas garrafas de oxigénio, porque respirar já não consigo, os meus pulmões estão atrofiados.
Saio com a roupa do corpo…e uns pertences que não olhei muito bem que apanhei… na ânsia de sair…de ir…
Passo por um caixote e atiro o cartão do telemóvel…paro numa área de serviço e compro um novo cartão…
Entro num hotel…e ligo para uma amiga e depois um amigo…aqueles…os tais… primeira pergunta deles? A mesma sinceridade de sempre…”Estás bem?” sorrio… porque a preocupação me enternece, me comove…afinal eles foram os que sempre a fizeram, fosse em que circunstâncias fossem….não dependendo do cliente que conseguia, do dinheiro que amealhava ou do destino de férias que podia oferecer…não me exigiam que fosse assim ou assado…apenas feliz… ou que “morresse a tentar sê-lo” (pacto de crianças que não compreenderias, pois é baseado na palavra, na amizade, fidelidade e solidariedade) …não me pediram nada…apenas que dissesse como estava de quando em vez… e se precisasse, ligasse…nem que fosse para lá das horas de Bagdad…são os únicos a quem dou o número novo…e aviso que vi o anuncio da tap e que amanhã estarei no avião….nem sei bem para onde… Eles pedem apenas…que avise um ou outro que cheguei bem…nem preciso dizer onde…E que têm um abraço para mim, quando voltar…Incríveis estes amigos, não são?
Estou e sinto-me livre… diferente… assusta-me um pouco o efeito de excesso de ar…mas creio que é questão não tão grave, quanto foi quase ficar moribundo… Ser vivo de aspecto duvidoso coberto de uma asma de que não padecia mesmo…
E rio…tenho o primeiro ataque de riso faz anos… olho para o espelho e continuo a rir em voz alta… incrédulo com a minha condição de audaz e corajoso, olho de frente para o espelho e digo: “- Bem regressado rapaz, tinha saudades tuas!” - e respiro fundo…


SeeUArround e afins... ;)

publicado por Pontog às 12:33
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