Sexta-feira, 15 de Abril de 2005

Continuação da continuação e ainda continuação do nosso conhecimento.

Eu também não acharia graça alguma… – Ergui-me devagar. – Se tivesse um baile a acontecer no meu nariz e os convidados tivessem resolvido sair para apanhar ar. – Quer que eu lhe limpe os convidados, Erótica?
A Erótica resmungou um:
- Não, obrigado! – Mexia as mãos, os dedos finos faziam deslizar o anel num evidente sinal de nervosismo.
- Não ia ser obrigado a limpar o seu nariz. Se fosse por obrigação não o faria. Só o ia limpar…
- Calou, Kiiinky! Calou! – Interrompeu ela, já quase a tirar um sapato ou até o burrié, para mo atirar para cima.
Fiz com a mão o gesto de um fecho transparente a selar os meus lábios. Mais uma palavra e atirava-me pela janela.
- Eu já volto, kiinky! – Mediu-me o olhar para ver se estaria a ser mordaz – Aviso-te já que te vais arrepender se estiveres a mentir.
- Se fosse a si aconselhava era os convidados a manterem-se no salão.
E eu lá sou de mentir! Um pouco talvez….Não tinha nenhum burrié no nariz no exterior. Mas tinha no interior. Logo não menti, acrescentei foi algo ao que não era. Mulheres são muito complicadas. Se acrescentamos algo, é porque acrescentamos… Se lhe tiramos algo é porque só lhe sabemos tirar. Quem é entende o bicho mulher?
O telefone tocou e eu como sou um gajo simpático atendi-o. Do outro lado perguntaram-me se era da casa da Fetiche. Bem, diga-se de passagem que hesitei em responder, mas por fim a simpatia venceu.
- ɅDaqui é da casa da transexual travesti, sim.
Do outro um silêncio enorme.
- Quer que a chame?
A chamada caiu. Ou isso ou tiveram a ousadia de me desligarem a chamada na cara. Que falta de polidez e educação.
- Linguiça era o telefone que estava a tocar? – Assomou à porta as fronhas da Fetiche com um olhar interrogativo.
- Que telefone?
- Aquele telefone! – Acompanhou a exclamação com um gesto para o local onde estava o dito. - Linguiça estou à espera de um telefonema importante, de alguém que não conheço ainda.
Mais uma vez já sentia a raiva a salivar na minha direcção.
- Ah, sim? E que tenho eu a ver com isso?
- A porcaria do telefone tocou ou não, linguiça?
Preparei uma vacina anti-rábico de Pasteur. Já estava a ver que pelo desenrolar dos acontecimentos ia precisar ministrar-lhe uma.
- Tocou.
- E parou de tocar?
- Bem…Atendi e do outro lado desligaram.
Em dois passos colocou-se mesmo à minha frente com a raiva direccionada para mim. Agarrou-me pela camisa e empurrou-me. A Fetiche deve-me dar pelos ombros. Mas tem uma força colossal. É anã mas tem os músculos desenvolvidos, especialmente os da língua.
- Agora vais-me contar o que disseste – Rosnou ela em tom ameaçador.
- Aviso já que não cedo a pressões, nem pela força!
Tentava chicotear-me com a língua. Mas eu afastava-me. Por fim lá recolheu a língua e entendeu que não aceitaria os linguados que me queria dar.

publicado por Pontog às 13:38
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