Sábado, 16 de Abril de 2005

Fim do primeiro capitulo.

Fetiche chegou mesmo a tirar a dentadura, depois de um arroto sonoro. Não sei bem se foi assim ou se na realidade a prótese, fugiu da boca dela. Seria uma terapeuta das exalações ruidosas notável, mas só se fosse para tratar do próprio problema. Sem o gajo que estava ao lado notar, limpou a prótese na parte de trás da camisa deste. Era entristecedor de ver!
Ele só disse:
- Isso faz cócegas, Fetiche.
Ela ria-se sem dentes e lá continuou na limpeza.
- Há… Pois faz cócegas. – Pensei eu. – Faz cócegas e deve deixar nódoas e micróbios. Mas mal por mal, antes nele do que em mim.
Pouco depois fugi daquele antro de loucura total e fechei a minha porta à chave. Com duas voltas.
Na cozinha tinha um frasco de doce entornado. A infestação era de tal ordem que eu quase garantia que as vizinhas, as criaturas, tinham feito um furo na casa delas e depois de terem recolhido todas as formigas que encontraram, enviaram-nas para minha casa. Até me fumigarem a casa ia ter de ficar em casa de alguém. Com algum desagrado, arrumei algumas peças de roupa e desci novamente para o andar das criaturas.
Abriu-me a porta a Fetiche:
- Outra vez por aqui? Não me digas que já tiveste saudades.
- Muitíssimas… Nem sei, como aguentei. De tal ordem que durante uns dias tenho de ficar no vosso apartamento.
- O quê?!? Alto! Isso nem pensar. – Quase que me deu com a porta na cara, tal foi a força com que a fechou.
- Tive uma infestação no meu apartamento. – Gritei-lhe aborrecido. – Não me vai deixar cá fora pois não?
O silêncio respondeu-me que sim. Que iam deixar-me na rua. Sem outro remédio, acampei à porta delas. Nem cinco minutos depois a Erótica convidou-me a entrar.
- Olha, tens é de ficar na sala. Nós no escritório estamos sempre até às tantas no chat. – Bateu-me no braço carinhosamente. – Não ligues à resmunguice da Fetiche. Até foi ela que me veio contar o que se passava e para te abrir a porta.
- Sacode! – A Fetiche apareceu do nada a sacudir um pano. Fez questão de me sacudir o pano em cima e repetir.
- Sacode! – O vício de sacudir era de tal ordem que sacudia tudo, menos aquilo que a abafava. Cresciam nos muros da Erótica ervas daninhas que lhe cochichavam:
- Sacode, Fetiche, sacode.
Por mim estava completamente à vontade. Não pensasse é ela que a ia ajudar a sacudir o pano. Ou que a ia deixar sacudir o meu alarve. Já tive visto do que era capaz. Mesmo tendo asas curtas quando dominada pela fúria, nenhum alarve estava a salvo. Que era quase sempre o estado habitual da criatura. Vândala como era com o sacudir dela, nenhum homem estava era a salvo de sofrer um acto de vandalismo.
Quando ela dizia, sacode, na verdade estava a virar as costas ao desconhecido. Era uma forma de conseguir que o nosso olhar ficasse pelo aparente. O sacode ampliava ou reduzia o que ela sentia e tornava-nos o entendimento míope. Era uma forma benévola de nos ofuscar o raciocínio. O sarcasmo embrulhado numa graça sorridente completava o quadro. O ser dela fica semi-suspenso. Estava presente mas só uma parte de si é que se mostrava.
Sacode, Fetiche, sacode…Sacode o que emana e o que não emana.
– O que é que estás para aí a inventar, Erótica?
Bem via como sentia uma satisfação indizível por me ter ali. Mas como era incapaz de assumir.
- Não sejas assim, Fetiche.
- Indiquem-me é onde posso colocar as minhas roupas. E depois já podem puxar o cabelo, uma à outra que eu nem vos atrapalho.
Começou uma nova fase. Mesmo que na altura eu nunca o sonhasse.


publicado por Pontog às 12:27
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