Segunda-feira, 28 de Novembro de 2005

Bafejando o presente com uma tristeza intranquila.

Abandonei a estridência desta rotina.
Ia fatigada nesta magnificência mesclada de pensamentos, nem por isso muito agradáveis.
É nestas alturas que sou volátil, ou mais ainda que noutros estados. Dilato-me ou contraio-me bafejando o presente com uma tristeza intranquila. Externa ou interna a tentar saltar as poças que encontro no meu caminho. Quando tombo sobre elas, engulo a água dos charcos e gargarejo, um:
- Dá-me cá um abalo.
Bebo os vossos pensamentos com ruído. É impotável o que me dizem, essa água pluvial que vão teimando colocar perto do meu caminho, que os meus sentidos reconhecem, mas que o meu ser nega com veemência, tornam-me por vezes numa desesperada.
Procuro um lugar manso que aplaque esta cólera que me cimenta a esperança. Sou um planetóide a girar à volta de tanto que os outros julgam ser o correcto. Contraída. Mensageira de uma notícia que nunca irei entregar.
Entro no carro. Seis mudanças…Para que quero tantas mudanças?
Para que quero este carro ostensivo? Já nem sei porque o escolhi. Talvez porque me deu gozo conduzir ou porque alguém na brincadeira quando o escolhi me disse que tinha tudo a ver comigo. Não. Tenho a certeza que na altura gostei dele. Hoje passado um ano, acho que quis mostrar a todos que me saí bem. Tão bem que podia comprar aquele carro. Conclusão: Sou um planetário a girar à volta do que pensam, ou a ir contra o que pensam.
O meu puro-sangue parece ensinado, passa pelos lémures, pelos símios, passa pelas depressões na estrada e pelas sombras que entoam os cânticos, deslizando sem se incomodar com os olhares de cobiça, levando-me pela auto-estrada numa direcção que me vai tapar as fendas que cada gargarejo me provocou no esófago. Envio um pedido de socorro:
- Salvai a minha alma. Um S.O.S, que repito alagado em gargarejos, que acaba por ser um som áspero parecido com isto:
- Badamerda.
-Badamerda.
É muita merda junta. Por isso badamerda é o que vos soa.
Fico tantas vezes em perigo de me despenhar que agora cada S.O.S, já só me traz uma certeza…Vou despenhar-me, mas depois consigo juntar os meus destroços e voltar a voar. Os espectadores esses ficam em exposição enquanto me retiro, suavemente para o meu hangar. Aqui deixo a disformidade, a opacidade e junto todas as peças.
A tensão no pescoço, começa a atenuar-se. Ao longe já vejo a estrada que me leva até onde posso encontrar tranquilidade. Toca o meu telemóvel, oiço-te e a tensão volta. Despeço-me do caminho que afinal não farei e faço meia volta. Volto para a luta. Nem gosto de lutas, mas volto com uma convicção vou só buscar o que é importante e faço-me novamente ao caminho. Seja a este ou a outro.
Paro este e vou buscar o meu Balde de Merda, buzino. Sorris.
- O telemóvel pode ficar em casa?
Olho para o portátil dela…Segue o meu olhar e volta a sorrir.
- Vamos sem ligações, pode ser? Vamos só nós. Não o vou levar.
Entrego-te o telemóvel, desapareces e apareces nem cinco minutos depois.
- Temos tudo o que importa.
Entras e dás-me um abraço. Agora sim vamos por aí, sem mapas, sem nada. Onde gostarmos é onde vamos ficar. Temos realmente tudo.

publicado por Pontog às 10:25
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Quinta-feira, 24 de Novembro de 2005

A noite passava .. e eu... sonhava... (:P)

Sonhava...
Com um pc devidamente artilhado. Sim! Que isto de vir pá guerra com pc semi artilhado... é meio caminho andado para a derrota.
Aqui estou! Sem office instalado que esta treta de sistema nem isso me permite. Já sei que depois de publicar este post vou passar umas horas a corrigir os erros ortográficos. As falhas da barra de espaços... as minhas falhas...enfim... Mas cá estou.
Nos últimos dias,reli este blog. Comparei-o com mtos que visito diariamente e que gosto de visitar . Aprecio quem escreva bem. Aprecio quem faça por agradar aos "leitores"e, principalmente, quem o saiba fazer. Imagino que não seja tarefa fácil manter as "audiências" (leiam-se comentários).
Hoje apetece-me falar deste Ponto G. Deve ser sinal de que não tenho nada mais importante para fazer, mas até me dei ao trabalho de verificar o nº de visitantes que tivémos desde que colocámos um contador... 6793 de Maio a esta parte. ou seja, uma mêdia de 963.28....... por mês. Aproveito para agradecer a todos os que por cá passaram. (Parecia mal se o não fizesse.) mesmo aos que vieram por engano. Aos que procuravam a localização do PontoG feminino ou masculino (estes softwares dizem-nos tudo. lol Q maravilha!!! eheheheh). E, aproveito para dar a minha opinião acerca desse tão procurado PontoG. Tão procurado que se tornou num mito.
O que é o Ponto G? Melhor dizendo, onde se encontra?
Na minha opinião, bem modesta por sinal, PontoG está no local onde encontres maior prazer. Pode ser a nível sexual, intectual. O PontoG está onde tu queres que esteja.
Este Blog nasceu em Janeiro de 2005. Acreditem que é o "nosso" PontoG. Marcou uma nova etapa. 3 Autores completamente distintos mas que se complementam. Escrevemos a rir, a chorar... deixamos o nosso sentir aqui gravado. Assim o saibam ver...
Não fazemos do Blog um diário. Não fazemos dele uma obrigação. É o nosso cantinho. Escrevemos quando nos apetece. quando temos algo para dizer. Nem que seja um falar connosco. Para nós próprios. Comentários? Pouquinhos. Mas bons :) A história que leem aqui..é a nossa...

Bem... não imaginam as emendas que já fiz... ou porque as teclas falham, ou porque eu me escondo nelas para não dizer que a falha foi minha ...

Tudo isto para agradecer a todos os que por cá passaram. Espero que continuem a passar. Não ligamos muito aos números. Mas já que temos consciência da sua existência...

(Este post não foi nada do que eu planeei mas... não deu.)

Sejam felizes...

Até breve

Erótica


publicado por Pontog às 00:41
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Terça-feira, 22 de Novembro de 2005

Amanhecia…e eu compressas frias fazia….

A relação andava um pouco, como dizer, xoxa…
Era não só tentar fazê-la perceber que a amava, mas que investia na relação…e sei mais lá o quê, que ela me dizia que era preciso e sentia falta.
Andava nesses pensamentos e a tentar encaixar isso na nossa própria vida e no que fazíamos em comum, de modo a que não inventasse nada que me fizesse andar pendurado em candeeiros. Queria dar-lhe o sinal. Que não era tão depravado como ela me havia dito que lhe parecia, mas inovador na medida em que me armava em Professor Pardal, mas do sexo.
Vi até aquele programa que dá às segundas e preparei-me para o A,B,C Dário do sexo para tirar notas mentais.
Olhava a expressão ou comentava com ela o programa a tentar perceber o que a motivava e o que poderia dali “tirar” para mim…para nós.
As cabeças não me deram descanso…começaram a mostrar as posições animadas e a falar do sexo anal, do vaginal, oral e coisa que tal, que a de baixo tomou conta, à medida em que me apercebia que a minha cintura tem vontades que nem eu sabia existirem. Percepção consciente, de uma erecção crescente.
Já tenho sabido de gente que perde a cabeça, eu gosto e nutro verdadeiro amor pelas minhas.
Lá ouvi a doutora a dizer que temos de ser originais, apimentar (nesta parte lembrei-me do galheteiro mas o azeite não me cai bem e faz-me arrotar…e o vinagre caretas, ela ainda pensava que já não gostava dela…sim que as mulheres são muito sensíveis…), sejam originais no dia – a – dia.
Diz-me ela…amanhã vamos ao cinema?
Pensei, aqui está…caso prático.
Disse que sim...e que então se íamos teria uma surpresa para ela e lancei um olhar maroto…ela retorquiu com um de soslaio a raiar o preocupado. (se calhar, resultado de uma vez ela ter-se queixado do mesmo, que eu não lhe dava provas de amor…e eu ter entrado, ainda éramos namorados e ela vivia com os Pais…e quando fiz a surpresa, quando ela entrou no quarto já eu estava em pelota à espera dela…só que nessa noite a mãe dela ia dormir com ela….) Apenas uma vez e fiquei marcado! (Bom, quem me mandou cair em cima da colecção de cactos que a mãe dela tinha plantados por baixo da janela?)
Então disse que ela não se preocupasse e fosse encontrar-se comigo no cinema na sessão das 21 e tal…que eu chegava antes e comprava atempadamente os bilhetes.
E preparei-me psicologicamente para apimentar a nossa relação no escurinho do cinema.
Cheguei e comprei os bilhetes, embora me tivesse enervado com o Sr. que vendia os bilhetes.
Fui ao WC e como nem tempo tive de ir a casa, despi as calças e retirei os boxers que trazia vestidos e voltei a vestir as calças, depois de dar uma mijinha e ter sacudido convenientemente ( e para não molhar ou deixar nódoas nas calças que se notasse).
Sai, olhei para o relógio e vi que estaria quase a chegar o meu par.
Fui comprar as pipocas doces que ela prefere e como era para tornar algo perfeito e doce, comprei o pacote médio que assim também daria jeito para as desventuras no escuro.
Assim comprei, depois de ter quase esbarrado num pequeno fedelho que por ali andava…
Chegou o meu par. Ela notou a minha quase excitação de adrenalina..a outra tinha a ajuda do pacote das pipocas para não ver…
Eu confesso que estava um bocadito nervoso. Mas só porque não tinha levado B.I. e porque me vinha à cabeça a imagem da mãe dela a acenar a cabeça em tom de reprovação, tal qual como a encontrei o dia seguinte, ao fazer-me de desentendido da situação dos cactos e de me mostrar solidário com a incompreensão de quem e o porque de tão vil e digno de repúdio acto.
( a imagem da minha sogra também servia e estava em stand- by para me acabar e refrear a tesão.)
O meu falo, já estava pronto a cantar….
Entrámos e acomodámo-nos e ela olhava para mim com alguma suspeição da minha excitação quase frenética a puxá-la, não para os lugares habituais em que nos costumávamos sentar, mas… para outros, mas recônditos.
O filme começou e a minha acção também..depois de verificar que a atenção de todos estava naquela tela… comecei o meu plano.
Antes da sessão tinha-a entrelaçado em meus braços… e tinha dado uns beijos como os testes das ventosas que fazemos em fábrica… caramba, que belos beijos, que pareciam tratamentos de pele… para limpeza dos poros.
Lambuzados, afobados…e ela com os olhos admirados…mas, balbuciou algo e eu disse que estava a melhorar a relação, pois ela era o meu coração. Posto isto ela acabou por perceber, enternecer e aceder ao proposto. Entre pipocas adocicadas, umas palavras alinhavadas.
Peguei na mão dela e coloquei-a no meu colo… fi-la passar a mão, de modo a ela me sentir o tesão.
Já estava passadão a contorcer-me com tesão a ver se retardava a explosão.
E ela passava com a mão e abriu o botão… o fecho…para baixo et voilá, ficou ela com o falo erecto na mão. Movimentos cadenciados com respiração descompassada….também a acariciava, seios, pernas e onde a mão alcançava…. O problema aconteceu, porque o caramelo da pipoca amoleceu, o pêlo do falo colou, e uma catrefada de pêlos arrancou, apetecia-me gritar e não era de me vir, não….mas com a dor que aconteceu, não sei como a erecção permaneceu.
A fusão aumentou e a excitação acontecia, não fosse o dedo anelar atrapalhar. A sublime fantasia, depressa virou tortura, quando o anel de noivado que ela ostentava e levava para todo o lado, que pertencia à mãe…prendeu nos movimentos e os meus pêlos mesmo com pouco comprimento, me levaram a um sofrimento que me fez esticar e um pontapé dar em reflexo. O senhor da frente parecia descrente quando em grande agitação bradava de indignação. Se acharam poucochinho, haviam de ver, como lhe voou o capachinho. Escondi o falo, que estava lixado, no balde das pipocas e aquele milho e algum sal deram um final de ir parar ao hospital…
O pior de tudo foi, não ter ficado careca, pelado em sítios onde dificilmente me crescerá pêlo novamente, ter de levar com soluções para desencrustar, ou os exercícios de gelo….mas sim… a visão….palavra…palavra que vi…
Palavra que vi o acenar de cabeça dela… como o da mãe.
Amanhecia…e eu compressas frias fazia….


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publicado por Pontog às 21:47
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Quinta-feira, 17 de Novembro de 2005

Erótica,(m) ame para aí!

Estávamos ambas sentadas e mexíamos os pés calçados com preservativos. Não queríamos emprenhar o chão? Ou era a forma de se protegemos contra as cheias que por vezes ameaçavam os nossos humildes universos. Eu sou uma tagarela daquelas que prefere ouvir a tagarelar. Estávamos ali a opor-se ao nosso receio. Duas gravuras de páginas de um qualquer livro, que todos os dias passam por nós. O destino tinha zombado consigo ou teria sido o inverso? Eu por vezes olho para mim e vejo-me espalhada ao comprido no que um dia idealizei.
-Bem feita, quem te mandou idealizar uma vida? - Digo para mim mesma assim em forma de um ralhete amistoso. Mas ela não sei…Nem sei se idealizou uma vida só. A minha foi assim, um dia resolvi que nada além de amizade era possível para mim. Fiquei a olhar para as palavras com falta de tecido adiposo. Vi o esqueleto, bastaria estender a mão para aquela frase e conseguiria contar as vértebras.
- Nunca amei, mas quero amar e ser amada. Desta vez quero que o que dou me seja retribuído, entendes?
Nada disse. Fiquei a sentir as contusões que essa vida lhe tinha já cedido. Via-a ali como passei grande parte da minha vida. Estava prestes a tornar-se uma diligência que ia transportando os outros, mas não se transportaria a ela. Ia com os outros, deixava-os no destino e recolhia novamente a um correio qualquer que transportaria tudo, menos a carta que ela devia escrever, mas que não escrevia.
- Não sei se quero ficar só. Não sei nada. Estou tão confusa.
Mais uma vez nada disse.
Não lhe disse para mim tudo além de amizade é uma maleita. Digo-lhe agora. Não disse também que existem várias formas de amar. Que já amou mais do que imagina, mas que entendo que não chegue.
A patrulha que ela tinha enviado em reconhecimento, acabou exterminada. A única conclusão possível é que estava sozinha, continuava sozinha e mais ainda pois a resposta que esperava obter, não ia acontecer.
- Próximo encontro e acabo tudo.
A forma como o disse pareceu que já tinha executado todo o plano. Mas sei que o disse sem certezas. A certeza é que não queria sair mais uma vez magoada. Nem colocar esperanças onde só existia um vaivém do que lhe era conhecido.
Consegui apaziguar o meu universo olhando do alto da minha vigia tudo o que se aproximava. Para mim é válido. Para ela penso que não. Não deixou qualquer margem de dúvida que precisava amar. A falta de paixão, a mágoa sentou-se ao nosso lado. O amor nem chegou a aparecer, devia estar ocupado demais para comparecer ali. Para mim esse tal de amor o amor é um antropófago, quando associado ao desejo, paixão e essas bodegas todas.
Erótica, ó Erótica, ame para aí. (Gosta que a provoquem, não? Então caríssima Fetiche vá lá a ver se é desta que vamos ver a cor das suas palavras.)

publicado por Pontog às 12:03
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Mais uma refeição. Venha a próxima.

Habitualmente é depois de ter completado um ciclo que descubro que estou novamente na primeira fase. Se não é daquele ciclo é doutro. Mas estou ali, onde já estive anteriormente num horizonte que pode vir a ter algum significado, ou simplesmente ser mais uma parte de algo cíclico.
O contentamento medíocre nunca me chegou. Nunca! E nunca me chegará.
Gosto do simplismo de quem acha que sabe como resolver determinado tipo de problema. Gosto mesmo e é sem ironia que o digo.
O senso comum então, nunca me provoca alarvidade. Esta passividade deve dar uma enorme paz de espírito. Que maravilha é aceitar que é assim, pois se é assim que sempre se fez. Sou demasiado medíocre para conseguir para aceitar o que me rodeia dessa forma. Infelizmente para mim, nunca terei essa paz. Pelo menos não a terei dessa forma. Nasci para colocar tudo em causa. Até eu estou em causa. Estes atalhos, estradas que me levam a estar criticamente em relação a tudo, torna-me numa anima medíocre sim. Só uma pessoa medíocre viva da introspecção.
Estou pressa a tantas reflexões que ao lado passam os sentimentos.
Sou a litigante contra esses sensos e não é por isso que me sinto mais feliz ou menos. Tenho momentos. Uns melhores, outros piores e ainda outros que nem vale a pena referir. Mas no fundo tudo encadeado dá a minha vida.
As palavras são os meus instrumentos. Olho os engenhosos argumentos, atiro-lhes carbono puro cristalizado pela minha anima e observo o resultado. Só conseguem ver a rudeza.
Curvo o olhar enquanto as acções heróicas do senso comum me cumprimentam. Formosas em feito e revestidas de gentil som, tornam-me testemunha ocular destas falinhas. A minha ventura é aceitar-vos, mas lá praticar-vos é que não pratico. Aceito a estocada dessa haste quadrangular terminada num ponto final. Nesta esgrima não existem vencedores, nem vencidos. Aceito o toque e nem me importa que me declarem vencida. Vibram de alegria e sorrio. Como é arrebatadora essa simplicidade. É sem favor que vos concedo o meu sorriso. Purifico-me assim. A anestesia deve saber-vos bem. A mim sabe-me bem ver como sabem tudo. Se fosse um intestino seriam o tumor mole, a hérnia que deve ser operada, mas que recuso remover. Monto na conversa, que como nem é selvagem não me deitará ao chão e vou nessa corrida que nem comecei, mas que por vezes acabo. Outras vezes sou a arbitra e invalido o golo que já tinha acontecido. Algumas vezes sou a juiz e é aí que sentencio com ardência:
- Culpados de senso comum!
O que cada vez é mais raro. Descobri que cada um de nós tem direito a estar como entender. Afinal até são eles que estão de bem sempre com a vida.
Que biltre sou nesses momentos. Como os invejo! Como invejo quem tem sempre uma resposta.
Pulsam nas palavras as minhas pústulas, matizadas por o pensamento escolhem este meu estar sinuoso para se tornarem peça nesta vida.
Tanta resposta inata. Fico enfartada depois de tal refeição.

publicado por Pontog às 09:01
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Quarta-feira, 16 de Novembro de 2005

Prato do Dia

Dizem que nas e pelas mudanças, que gostamos umas mais que outras, se descobrem novos ou redefinem …objectivos.
Penso que neste momento, querem redefinir por ti, os teus.
Compreendo que te sintas segura de andar para trás e para a frente, pela linha continua de uma postura que conheces. Afinal é somente…o teu caminho de sempre.
Chegas ao restaurante e é como não te darem o menu, onde estão contemplados, se for restaurante que se preze do nome, todos os pratos disponíveis e possíveis de ler e se poderem pedir a fim de serem saboreados., degustados e por fim, saciarem a tua fome. O mesmo na secção dos vinhos.
Mas não. Chega o empregado para apanhar e receber o teu pedido, mas sem te fornecer nem o menu, nem o tempo para a escolha. Começa a debitar todos os pratos possíveis, mas fiando-se que nem estás à espera daquele exercício. Vai repetindo entre o decorado e encomendado, o que lhe interessa que escolhas: o prato do dia.
Pedes um momento para decidir enquanto ele traz a bebida. (no fundo pedes é tempo para ver se apanhas o outro empregado que por ali anda, para ver se ele é diferente). Aproveitas a passagem de outro empregado e levantas a cabeça. Ele apercebe-se e aproxima-se.
Esboças um: -Olhe, seria possível…
És interrompida. O teu discurso e voz são interrompidos, pelo atropelamento verbal do outro empregado:
-Deseja pedir? Pois com certeza (sem dando oportunidade de resposta e tomando por sim, a resposta e silêncio, para nem te ouvir, nem olhar). Debita exactamente o mesmo, com a variante de trocar os pratos por ordem e com certas nuances inserir novamente o prato do dia.
Em todo o seu discurso, não te olha e no bloco, mesmo antes de recolher a tua resposta, a tua opção, começa a escrever no bloco: Dois pratos do dia.
O outro empregado, passa, olha o colega e anui com a cabeça em sinal de concordância. Gesto mecanizado, de trabalho automatizado, realizado.
Olhas para um, para outro em silêncio. Tentas abrir a boca a fim de sair alguma coisa, nada sai. Pratos, pratos e mais pratos. Apercebes-te da ginástica malabar gastronómica e percebes que estão interessados em ceder-te o mesmo e único prato: o prato do dia.
Ficas indecisa entre o levantar e abandonar o restaurante, ou ver aquela ginástica de pratos que tem na sua génese uma só coisa: não passa de roupa velha.
- Esperamos vê-la brevemente, novamente. E neste restaurante, sabe…é melhor e menos perigoso do que se come nos outros restaurantes por ai. -Diz um.
- E aqui temos a melhor companhia para si e música ambiente. – Acrescenta o outro.
-Aliás o ambiente e a frequência é seleccionada. O mesmo não se pode dizer desses restaurantes que pouco ou nada mais são que cozinhas virtualmente especializadas. O melhor mesmo é deixar-se disso… – diz o primeiro Estarola.
-Ah! E para aproxima traga alem da sua companhia, a outra, que passará a vir… – acrescenta o segundo Estarola.
Pedes, um copo de água, um palito e um guardanapo. Perdeste o apetite.
Aguardas a conta.


SeeUArround e afins...

publicado por Pontog às 13:52
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Anima...Tantas fases como a lua, ou mais.

Era livre de te explicar que não sei o que fazer. Que preciso fazer o que considero ser o justo para todas as partes…Não só a que consegues ver, mas também as que ficam nesta obscuridade que nem sei explicar. Angustiante, minha amiga, saber que o que quero é diferente do que me pode trazer alguma felicidade. Vou optar pelo que é oco. Ou que assim parece. O saber isso, provoca crispação em todos os poros do meu ser. É um furto ou roubo o que pratico constantemente contra o meu universo. Qual deles é passível de pena? Ambos. Para mim ambos me fazem penar. Danifico por vezes o meu interior para socorrer os outros, mas no fim sinto-me bem comigo mesma. É quase sempre díspar o que me provoca bem-estar e aquilo que pratico no meu dia-a-dia. Depois chega a fealdade. Mas nem admira que seja assim. Preciso de algum sentido na minha vida, por isso por vezes as minhas opções não privilegiam o meu universo, mas no fim acabam por lhe dar a paz e o valor que necessito. Quantas vezes, quantas, ao longo da minha vida, ao fazer esta procissão ao meu universo…Constato que o contorno das minhas atitudes é afinal a minha forma.
Tento orientar-me para que a escolha não acabe num extremo. Julgo ou tento julgar de uma forma que a moral que me move, não torne amoral as minhas opções.
Era isto que devia explicar. Não quis. Anima minha que vives nesta logos que te cedi, tende piedade de mim.
- Anima-te amiga.
Não entendeste de onde vinha agora esta anima. Sorri. Supostamente era eu que me devia animar-me, não?
Estou camuflada por a logos. Isso estou. Mas a minha anima vive do sentir. Nenhuma é vítima da outra, coexistem harmoniosamente. Só a logos se mostra, pois existe para passar as tendências destas minhas estações. Nem é grave pois a as estações são o sentir. Alterno logos e anima, ou quantas vezes não sofrem uma fusão tal que nem se diferenciam…
Paro e leio…Sei como gosto de me afastar do que me provoca dor. Como parece que converso sobre tudo, menos o que sinto.
Mais severa, ou rigorosa que consigo ser com o meu universo, jamais alguém o conseguirá. Esta é a minha verdade. Tal como a lua tenho fases, posso mesmo afirmar que a lua nem imagina que a supero em fases. Tal como ela repouso nos eclipses em que descubro e tapo o sol.

publicado por Pontog às 12:07
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Afirmações vãs.

Um conjunto de palavras a desflorar a Logos. Este meu universo enfermo já todo abandonado a uma realidade que por vezes me parece demasiado agreste. Desflorado anda já tudo o que olho. Tudo o que sinto. Ou se nem é tudo é uma grande parte. Interrogam-se acerca da psiché do meu pensamento?
- Para onde te leva essa psiché?
Oiço-vos sobre leis cientificas e torno-me o objecto. Deixo de ser o ser. Gosto da vossa coerência. Nunca fui coerente em nada do que fiz, fiz porque achei que devia fazer, sem as vossas normas ou noção de estética. No entanto tendes razão pratico a lógica como se fosse uma idosa crente e obtusa que se agarra ao terço, pois nada mais tem onde se agarrar.
- És a Logos! – Sorri com a tua afirmação minha amiga.
Já tentei explicar que adoptei a lógica, pois a partir de certa altura, neguei o sentir. Não o podia explicar. Neguei que não sentia. Que deixei de querer sentir. Nesta povoação que chamo pensamento, habita este receio de um dia perder a capacidade de vos tentar entender. Mais que tudo receio nunca sentir. Ao mesmo tempo agrada-me, não estar dependente de sentimentos que me podem turvar a racionalidade. Incongruência. Alguma pelo menos a um olhar menos atento.
Existe alguém assim que faz comigo o que costumo fazer com todas as pessoas. Reflecte, examina e por fim sabe sentir, coisa que nem sei. Ou que prefiro não saber. Para essa pessoa a autenticidade de muitas partes que formam um todo. Para quem marginaliza uma parte, ou várias, acaba por ter só partes que nunca serão um todo.
Para os restantes a interpretação que me deram é que basta o que mostro. A verdade do que sou, nem é muito importante. Gostam que seja assim…Uma parte que ainda conseguem desfragmentar mais com o que pensam. Verdade seja feita em vossa honra, eu acabo por mostrar o que vos agrada. Linhas definidas a serem a plataforma deste estar automatizado. O meu ser esse é livre de ir por onde entender….Por linhas indefinidas, sem manifestar qualquer vontade de estagnar naquilo que pensam.
Pondero seriamente entre pedir-vos distância e pedir-vos que olhem para mim e vejam a verdade.
- És livre para decidir!
Olho para a tua afirmação vã.
- Não…Tenho uma pequena margem. Ninguém é totalmente livre.
- És livre. Manda tudo para trás das costas.
- Sou livre para mostrar arrogância. Sou livre para suster a respiração. A minha consciência jamais me deixará ser inteiramente livre. O hábito que visto, que vestes impede-nos de sermos livre.

publicado por Pontog às 10:33
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Segunda-feira, 14 de Novembro de 2005

Silêncio.

Olho pela janela interior. Certas posturas e atitudes conseguem deixar-me em carne viva o ser.
Silêncio.
A minha aspereza é sempre ácida e frontal a alheia é quase sempre depois de uma manobra que nem vi e aconteceu. Goela de quem maldosamente sabe jogar com trunfos que nunca tive. Devoram a minha bondade, ainda a sinto, ainda a tenho, mas pergunto-me onde me leva este acreditar nos outros. Vou pelas goelas, quero ir. Estou cansada de lutar.
Hoje recuso-me a acreditar na bondade. Hoje recuso-me a acreditar em tudo. Não quero saber. Mas já nem é de hoje que nem quero saber. Deixei de querer saber. Deixei no caminho, o que vi e senti este fim-de-semana. Mas todos os dias tenho deixado um pouco de mim, até já só restar indiferença.
A maldade faz-me ficar neste estado. Pergunto-me sempre porque não reajo. Porque deixo que digam e aconteçam e nunca existe da minha parte uma tentativa de me defender. Talvez necessite que saibam que existe muito que nunca farei. Que posso ir até a muitos extremos, mas um deles é nunca aderir a esse.
Silêncio.
Olhei para o teu rosto. Olhaste-me confusa. Olhaste com ódio a conversa.
Silêncio.
Ergueste-te da mesa depois de um: Com licença que vou vomitar…Ou preferem que vomite aqui?
Silêncio aqui e ali.
Reconheci em ti o que noutra altura faria, que já fiz e já assististe. Nunca por mim. Não sei o que se passa comigo…Talvez eu seja indiferente já ao que me pedem, ao que me apontam. Não quero saber…Já não quero saber.
Silêncio.
Voltaste quando a tua acção provocou um tsunami. Voltaste e não te sentaste. As mãos crispadas diziam o que o semblante também dizia. Eu continuei a ouvir, não te disse ainda, mas já nem quero saber.
A tua vontade seria atirar a cadeira para cima da mesa, a minha era a que não assistisses.
Olhaste para mim, olhei para ti. Pediste-me um ponto final naquela desgraça. Não te dei o que pediste, não te dei pelo menos na forma que pediste. Ergui-me também da mesa. Poisei o guardanapo com calma, nem sentia a calma, naquele momento já só sentia indiferença.
- Vou levá-la e já volto para finalizarmos esta conversa.
Não recusaste ir. Querias ir. Falaste-me da paciência que tinha, da tua raiva…Da raiva que te provocava a minha calma. Sei que em certas alturas gostavas de me abanar, como por vezes te abano.
Parei o carro, levei-te ao bar. Como crescestes minha jóia.
Fomos em silêncio, não tinhas dito tudo, mas não querias dizer mais. Abraçaste-me. Somos quase da mesma altura e isso fez-me sorrir.
Na porta, apuparam-nos.
- Lésbicas? Isso é que era uma festa, posso juntar-me a vocês?
Ignoramos. Eu pelo menos ignorei. Mas tu quando viste o teu namorado aproximar-se, deste-me dois beijos e depois de acenar com a cabeça ao miúdo a que chamas namorado, afastei-me. Nem tinha dado meia dúzia de passos e disseste:
- Mãe…Amo-te.
Ouvi as perguntas…Fui com as perguntas:
- Tua mãe? Estás a gozar! Ela não tem mais de vinte de pouco… É mesmo tua mãe?
Não te disse que também te amava. Mas sorri, espero que tenhas visto naquela obscuridade que sorri.
A tua gargalhada acompanhou-me até ao carro. Já sabes o que vão comentar. Deu-te gozo que soubessem que era a tua mãe.
Deixei-te com o miúdo. Não te disse ainda, mas odiei-o. Estava a levar-me a minha menina. Já sei que cresceste e isso tudo, em altura não tarda e até me superaste. Nem imaginas como franzi toda a minha essência quando me apresentaste o miúdo. Nem idade tens para estar num bar, no entanto levo-te até um. Eles fingem que não sabes que nem o podes frequentar, ou até te dão já 16 anos que ainda terás…E nem é tão cedo.
Bom, mas fora estes momentos em que sinto que me estão a levar o meu maior tesouro, fico verdadeiramente feliz por estares a crescer. Expliquei-te o que já sabias. Sorristes por ter algum receio de seres mãe adolescente. Asseguraste que nunca aconteceria e em caso de resolveres teres relações sexuais com o miúdo, seria com todas as contra-medidas, medidas e mais o que existisse.
Só a conversa me fez encolher. És a minha menina e nisso não sou diferente das outras mães. Mostrei uma segurança que nem sentia. Espero sinceramente que esse dia venha longe.
Entrei no carro. Entrei no silêncio.
Silêncio.

publicado por Pontog às 14:30
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