Quinta-feira, 28 de Abril de 2005

Momentos

Hoje sinto-me triste.
Deixei a melancolia invadir a minha mente. O pensamento voa...
Recordo momentos felizes... Pessoas que foram (e são) importantes na minha vida... Mas que a própria vida afastou... E o que me mata, é nada ter feito para as manter ao meu lado... tentei mas penso que não me fiz entender. Ou talvez não tenha tentado tanto assim, sei lá!

Recordo palavras e expressões que me fizeram sentir Muito Feliz. "Hoje estás particularmente bonita" uma frase tão simples mas com tanto significado, o brilho do olhar que acompanhou estas palavras dizia tanto...
Partiu sem que eu lhe tivesse dito o quanto o achava lindo. O quanto o brilho do seu olhar e o seu sorriso me deslumbravam... Nunca os esquecerei... nunca o esquecerei... Nunca me perdoarei por não ter feito com que também se tivesse sentido lindo. Não lho soube demonstrar... não soube transmitir o que sentia...

Recordo o gargalhar de um Amigo-Amiga-ou-Isso (a criatura). Quantas gargalhadas... Quantas palavras carinhosas, quantos gritos, abanões ... a tentar acordar-me desta letargia em que me encontro. Recordo a sua presença e sinto a sua ausencia...

Recordo o sorriso lindo de uma Amiga especial que está a passar um momento péssimo e eu sem poder fazer nada para minimizar a sua dor... O meu maior pavor... ve-la partir...

Devem estar a pensar que estou num dia negativo. Não! Há tantas lembranças boas implicitas nestes momentos. Não consigo deixar de sorrir ao recordar alguns deles. Momentos inesqueciveis...

Nunca fui muito boa a expressar os meus sentimentos. Guardo-os comigo. Posso estar a sofrer horrores e não o demonstrar. Já por várias vezes me disseram que "não luto por ninguem" que sou orgulhosa e não dou o braço a torcer. Será isso? Será que me conformo com facilidade? Não sei...
Sou uma lutadora por natureza. Luto pela vida, venço obstáculos aparentemente intransponíveis... mas na verdade, não sei lutar para manter as pessoas ao meu lado. E quanto mais importantes são... mais dificil se torna demonstrar o que sinto. Complicado não é? Eu sou complicada...
Respeito o espaço dos outros... mesmo que não entenda, mesmo que me revolte a sua ausencia... respeito.
Assumo e reconheço os meus erros, mas... Irra como detesto ser assim!!!

Este post foi escrito a titulo de desabafo.

Fiquem bem

Até Breve e não esqueçam... sejam Felizes ;-)

Erótica

(Kinky.... o início do 2º capítulo ainda está muito demorado?)


publicado por Pontog às 14:02
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Sexta-feira, 22 de Abril de 2005

Feliz Aniversário...Erótica ; - )

Pois não é todos os dias que a Erotica faz anos...(felizmente e para permanecer enxuta, só o faz uma vez por anus..perdão, anos!)

Feliz Aniversário então e que nos continues a dar mais de ti (credo isto lido no contexto..er...adequado...perdão inadequado...é...er...no minimo interessante!) ;-)

Desta vez este povo esmerou-se....o teu bolo:

bolo1.jpg

Feito à medida dos sonhos, da sensualidade e completa doideira do freguês...!

e adivinha?? Uma malucha fabulástica de acordo com as ocasiões alucinadas ...é de toda a cor...a cor da modaaaaaaaaaaaa....
red.jpg

MAS...
(não chegámos a um consenso, logo pimba...adquirimos todas! Além que o Kiinky começou a dizer que se levássemos todas ele poia usar algumas....)

lcorset_bag.jpg


Ah e a vizinhança juntou-se ( já sabes a d.Albertina, a D.Gestrudes, D.Amélia emprestaram os maridos para eles se juntarem ao restante povo para te oferecerem este presente...(era entre isto- foto- ou fazem-te um strip....)

vizinhoscaridosus.jpg


Aí a Fetiche e o Kiinky entraram em acordo (uma das rarissímas vezes que se encontrou consenso) e optaram pelos profissionais..e para não haver invejas olha, trouxe-se a malta toda que uando souberam para quem era, não levaram nada e quiseram todos participar...

realthing.jpg

Ah e claro...mas tens direito a um privado (pedido por ele...incroyable) portanto...Enjoy:
privado.jpg

é caso para dizer...até a barraca abana e a cabine estoiraaaaaaaaaaa....

Por Tudo...mas sobretudo: FELIZ ANIVERSÁRIOOOOOOOOOOOOO !!!

Beijossssssssssss


publicado por Pontog às 01:35
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Quarta-feira, 20 de Abril de 2005

Os Mexedores de Café...


Os mexedores de café ao contrário, são os que contrariam o relógio…ou como ele impõe no mundo uma direcção, um caminho…e quem é do contra? É deslocado? Mal colocado…
Os inconformados, os que contrariam o estado das coisas, os que lutam com o afecto, contra a velocidade e a sua punição…vilipêndio de vidas, nos e pelos minutos.
Acreditam no afecto, como meio, para um fim maior… descartam-se de imposições do “deve ser” que levam vidas a ser construído, que dizem de “deve ser assim”.
Recusam…Recusam os combinados e pratos feitos…
Vivem entre o deve e o haver, e remam assim contra a corrente…lutando assim: cada chávena, um pronunciamento…mas travam-na do outro lado da luta…contra a normalidade imposta, exposta…ultrajante, de ultrajados…
E isto nas barbas de todos, batendo numa expressão carunchosa e alguém, que na nossa cara tenta fazer desacreditar…pimba, leva com um mexedor de café ao contrário.
Quem dita a ordem pelo menos na minha chávena sou eu… só eu. Olho para ti e nada me dizes, quando vens dizer-me e tentar impor-me uma ordem “natural” das coisas, ordem que eu não escolhi…escolho esta…o avesso, por oposição ao direito ziguezagueado pelas tuas palavras, ocas, que tu dizes da boca para fora de modo a seres tu a acreditares nelas, de modo a te auto-convenceres que o que pedes é o correcto, que o que pensas é o que deve ser….só porque não consegues ver de outra maneira…ceguinho…
Os que não serpenteiam e enganam, os que são fracos aproveitadores de fraquezas dos outros os que não pisam…. Esses? Esses mexerão o café…mas ao contrário…

Um Bem-Haja a todos os mexedores de café ao contrário...

São assim os mexedores de café ao contrário…
...já repararam se têm um perto de vocês…?

SeeUArround

Fetiche


publicado por Pontog às 16:12
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Domingo, 17 de Abril de 2005

Eu vi um sapo...

Finalmente chegámos ao final do Capitulo I... mas não ao final da história. Aproveitando esta pausa, pensei ser oportuno revelar quem é afinal este Kinky-Ele-Ela-ou-Isso... a criatura que tanto debita palavras neste blog e que até há pouco tempo era totalmente desconhecido neste meio.
Não! Não vou revelar a sua identidade. Vou sim revelar um pouco da sua vida...

Sendo o mais novo de 10 irmãos, nunca primou pela beleza de tal forma q a sua família o apelidou de uma forma carinhosa como o "sapinho". "sapinho lindo da mamã cutxi cutxi..." - dizia a sua mãe enquanto o embalava - e a 1ª primeira palavra que disse, imagine-se só, não foi papá ou mamã, foi "sapo".
Com a adolescência não melhorou - como se isso fosse possível com aquelas crateras de pus espalhadas por todo o rosto.
Namoradas nunca lhe conheceram… namorados, alguns… sinceramente, nem sei como consegue engatar gajos lindos com aquele ar desmazelado que lhe é característico. Camisas que em tempos foram brancas, calças rasgadas e sebentas e as meias achulezadas… fedorentas mesmo… (agora a título de curiosidade: o Sr Pires da Quinta das celebridades terá sido inspirado no Kinky?)

Profissão nunca me apercebi de que tivesse alguma. Penso que vive à conta dos amiguinhos que de vez em quando leva para casa…ou para a cama… com cada orgia, vai lá vai… e os vizinhos que aturem os guinchos depravados desta criatura. E quando se lembra de cantar? Alguém lhe deve ter dito que tem voz semelhante ao Pavarotti, concerteza… uma tristeza e um atentado aos ouvidos mais sensíveis. Há dias, fui ajudá-lo a fazer uma limpeza rápida no apartamento, depois de uma dessas orgias, quando de repente, me sobressaltei com os gritos histéricos dessa alminha doida… imaginem só a cena: Kinky-Ele-Ela-ou-Isso limpava o pó dos móveis e ao invés de aplicar óleo de cedro ou um outro produto adequado às madeiras, cuspia puxando depois o brilho … um verdadeiro horrorrr e, para agravar a situação, guinchava até que os tímpanos de qualquer um rebentassem tal não era o volume e a forma como desafinava, uma canção que considera como o seu hino : “Mr gay quero estar nos teus braços… Mr gay e beijar tua boca… Mr gay os momentos passados… Mr gay não sejas loucaaaa (doidonaaa boa!!!)…
Mr gay já não sou uma criança… Mr gay tenho mt pra dar… Mr gay nã me sais d’alembrança… Mr gay eu nasci pra te amaarrrr lalalaaaaa”
Imaginem só a cena triste. Cantando, cuspindo, rodopiando, tornando a cuspir, sacudindo aquela bunda que só tem ossos e cuspindo novamente. Degradante, no mínimo… Não aguentei. Saí e fui contar à Fetiche o que havia presenciado. È obvio que não resistiu a soltar uma valente gargalhada: “o linguíça puxa o brilho aos móveis com escarretas??? Hahahahahahaha”

Tanto poderia ser dito…

Antes de terminar e, não me querendo alongar muito, vou fazer um outro tipo de revelação… vamos Ver o Kinky-Ele-Ela-ou-Isso no seu melhor. Não vou comentar. Limitar-me-ei a colocar algumas legendas que identificarão cenas dos posts anteriores.

A criatura ao ser apanhada a limpar-se com a camisa da vizinha fiodental masc1.jpg


No baile dos bombeiros qd procurava a placa da dona Gestrudes um(1).jpg

Visto ao pormenor gay1.jpg


Eu vi um sapo... lailailaiiii (lol) sapo kinky.jpg

Para terminar vou revelar um dos fetiches do Kinky: vestir-se de Abelha Maia e passar uma noite com o birrento a quem também costumo chamar Calimero ;-)

Até breve

Fiquem bem e não esqueçam… Sejam felizes ;-)

Erótica





publicado por Pontog às 02:00
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Sábado, 16 de Abril de 2005

Fim do primeiro capitulo.

Fetiche chegou mesmo a tirar a dentadura, depois de um arroto sonoro. Não sei bem se foi assim ou se na realidade a prótese, fugiu da boca dela. Seria uma terapeuta das exalações ruidosas notável, mas só se fosse para tratar do próprio problema. Sem o gajo que estava ao lado notar, limpou a prótese na parte de trás da camisa deste. Era entristecedor de ver!
Ele só disse:
- Isso faz cócegas, Fetiche.
Ela ria-se sem dentes e lá continuou na limpeza.
- Há… Pois faz cócegas. – Pensei eu. – Faz cócegas e deve deixar nódoas e micróbios. Mas mal por mal, antes nele do que em mim.
Pouco depois fugi daquele antro de loucura total e fechei a minha porta à chave. Com duas voltas.
Na cozinha tinha um frasco de doce entornado. A infestação era de tal ordem que eu quase garantia que as vizinhas, as criaturas, tinham feito um furo na casa delas e depois de terem recolhido todas as formigas que encontraram, enviaram-nas para minha casa. Até me fumigarem a casa ia ter de ficar em casa de alguém. Com algum desagrado, arrumei algumas peças de roupa e desci novamente para o andar das criaturas.
Abriu-me a porta a Fetiche:
- Outra vez por aqui? Não me digas que já tiveste saudades.
- Muitíssimas… Nem sei, como aguentei. De tal ordem que durante uns dias tenho de ficar no vosso apartamento.
- O quê?!? Alto! Isso nem pensar. – Quase que me deu com a porta na cara, tal foi a força com que a fechou.
- Tive uma infestação no meu apartamento. – Gritei-lhe aborrecido. – Não me vai deixar cá fora pois não?
O silêncio respondeu-me que sim. Que iam deixar-me na rua. Sem outro remédio, acampei à porta delas. Nem cinco minutos depois a Erótica convidou-me a entrar.
- Olha, tens é de ficar na sala. Nós no escritório estamos sempre até às tantas no chat. – Bateu-me no braço carinhosamente. – Não ligues à resmunguice da Fetiche. Até foi ela que me veio contar o que se passava e para te abrir a porta.
- Sacode! – A Fetiche apareceu do nada a sacudir um pano. Fez questão de me sacudir o pano em cima e repetir.
- Sacode! – O vício de sacudir era de tal ordem que sacudia tudo, menos aquilo que a abafava. Cresciam nos muros da Erótica ervas daninhas que lhe cochichavam:
- Sacode, Fetiche, sacode.
Por mim estava completamente à vontade. Não pensasse é ela que a ia ajudar a sacudir o pano. Ou que a ia deixar sacudir o meu alarve. Já tive visto do que era capaz. Mesmo tendo asas curtas quando dominada pela fúria, nenhum alarve estava a salvo. Que era quase sempre o estado habitual da criatura. Vândala como era com o sacudir dela, nenhum homem estava era a salvo de sofrer um acto de vandalismo.
Quando ela dizia, sacode, na verdade estava a virar as costas ao desconhecido. Era uma forma de conseguir que o nosso olhar ficasse pelo aparente. O sacode ampliava ou reduzia o que ela sentia e tornava-nos o entendimento míope. Era uma forma benévola de nos ofuscar o raciocínio. O sarcasmo embrulhado numa graça sorridente completava o quadro. O ser dela fica semi-suspenso. Estava presente mas só uma parte de si é que se mostrava.
Sacode, Fetiche, sacode…Sacode o que emana e o que não emana.
– O que é que estás para aí a inventar, Erótica?
Bem via como sentia uma satisfação indizível por me ter ali. Mas como era incapaz de assumir.
- Não sejas assim, Fetiche.
- Indiquem-me é onde posso colocar as minhas roupas. E depois já podem puxar o cabelo, uma à outra que eu nem vos atrapalho.
Começou uma nova fase. Mesmo que na altura eu nunca o sonhasse.


publicado por Pontog às 12:27
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Ainda continuação

- Ó linguiça, ninguém morre por sangrar do nariz! – A ironia misturava-se com as gargalhadas. – No teu caso, na volta morres é se não te assoares depressa e nos sujares a alcatifa.
- São ambas verdadeiramente insuportáveis! Manhosas! Malvadas! Biltres! Tratantes!
Surpreendentemente ambas me olhavam com um carinho patético.
Uma delas de tanto rir descuidou-se. O estrondo foi de tal intensidade que até o prédio abanou.
- Esse era jactancioso. – Pelo menos cioso de se fazer notado isso era. - E deve ter vindo com molho não, Fetiche?
- Não fui eu! – Ainda se fingia de ofendida. Pois sim.
A Erótica antes sequer de me dirigir a ela, disse:
- Não olhem para mim, o ruído pode ter vindo daqui, mas não fui eu.
O certo é que o fanfarrão, tinha um cheiro fétido. E por pouco não me intoxicou. Fugimos do escritório mas o cheiro veio atrás. Palpita-me que a Fetiche sofre de flatulência, ou de um problema qualquer nos intestinos. Para que nunca nos faltasse dos seus gases devia andar sempre munida destes. Volta e meia farejava o ar e sorria de pura felicidade.
Na sala trataram-me como se fosse parte da sala. Tudo o que tinha feito estava já aparentemente esquecido. Apresentaram-me como o Gloria-Patri Kinky ao pequeno grupo que já estava sentado. Ergueram-se em gesto de vassalagem e cumprimentaram-me entusiasticamente. Mal todos se tinham acomodado, a sopa foi servida. Declinei a sopa de urina. Sou gajo para desconfiar de casas de banho tão imaculadas especialmente se a este cenário se juntar a falta de água. Para mim aquela sopa era no mínimo suspeita.
Á minha frente estava sentada a Erótica Dos Tiques Que Se Fodam Os Gajos ao lado dela o gajo de olhos castanhos que tinha ficado a chuchar no dedo. Sorri para o gajo ainda a lembrar-me do ver todo excitado. Fez-me uma carranca em resposta. Ao lado dele estava sentada a Pica-Pau Morena Meia Cana Papa-Açordas Inch(Ada) Dos Traques Que Não Se Permite Dar. Reparei como elas deslizavam a mão para as pernas do colosso. Pensei que seria melhor não ver o que se passava por debaixo da mesa ou ainda ficava escandalizado. Ao meu lado estava um quadrúpede e uma gallina. Nos extremos das mesa, um Minotauro e uma Vénus de willendorf. A conversa era supérflua a comida intragável. As duas criaturas divertiam-se a acariciar o brinquedo que estava entre elas.
Não retive nada do que se conversava, mas detive-me na expressão das minhas vizinhas. Pela primeira vez reparei como pareciam cansadas, esgotadas. Completamente saturadas do que as rodeavam. As mãos mexiam-se automaticamente, deviam estar a fazer massagens ao brinquedo. Ora massajava uma, ora massajava a outra. Era um gesto mecânico, automatizado. O gajo, o tal que ficou a chuchar parecia completamente consolado.
- O que é isto? – A Vénus de Willendorf, depois de um ataque de tosse cuspiu um pedaço de tomate e um cabelo.
Aquele cabelo pertenceria à floresta do meu alarve? Devia pertencer. Pobrezinho onde ele acabou. Paz à sua alma.
- Uma das duas anda a perder cabelo. - Disse a Vénus, já novamente a servir-se de nova dose de salada.
Por acaso nem perdia grandes cabelos daquela zona. Mas depois de coçar as alarvidades, era natural que alguns viessem agarrados aos dedos. Virei a cara enojado. Com um pouco de azar e calhava-lhe outro pintelho meu. Mal-empregados.
A erótica e a Fetiche necessitavam de um resguardo. Falavam de boca aberta e a comida voava para cima de tudo. Babavam-se, a comida escorria pelos cantos dos lábios.

publicado por Pontog às 09:35
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Continuação...Do nosso Conhecimento.

Abanou-me com força. Se abanava o falo dos companheiros dela com aquela força, não tardaria era só eunucos. Não admira que o gajo tivesse desligado o telefone. Pudera! Fiquei mais aliviado por ter encontrado uma justificação para o fim do telefonema.
- Linguiça, ou contas…Ou… – A ameaça estava agarrada à minha camisa. Estava na mão que se fechava e se preparava para me esmurrar.
- Não disse nada.
Ela fez-me rodar sobre mim mesmo e com um dos pés anões deu-me um pontapé. Inacreditável que uma anã tenha tal força. Ainda hoje tenho o pé dela gravado no meu rabo. Voei e não foi literalmente. Fui atirado com força contra a janela. Se esta tivesse aberta teria sido assassinado por uma anã! Já estou a ver os tablóides:
- Gigante assassinado por anã irada, é atirado da janela por uma meia pataca que enfurecida o golpeou com um pontapé certeiro e fatal.
- Aconselho-a a ir tratar desses impulsos agressivos. Sua…Sua besta!
- Nunca mais me perguntes nada!
Mas era mesmo alucinada. Eu nada lhe tinha perguntado, ela é que me perguntou a mim!
- Aliás, nunca mais volte a mexer em nada que ninguém o autorizou para isso, seu pacóvio. Provinciano!
A Erótica alertada por o nosso barulho. Fungou com força e disse:
- Mas o que se passa aqui? - A Erótica é daquelas pessoas que tem mesmo um coração com uma grandeza de península. Mesmo a sofrer dores no interior da sua essência. Mesmo depois de lhe ter dito que tinha burriés a cair-lhe do nariz, aproximou-se para me tratar. – Mas será que eu não vos posso deixar aos dois sozinhos, nem por um minuto?
- Olha Erótica fiz o que já lhe devias ter feito.
- O pobrezinho está a deitar sangue do nariz.
- Estou? Estou mesmo? – Senti que ia mesmo morrer. O peito começou mesmo a doer-me. Já sangrava. Não tardaria ia desmaiar. Um gajo tem limites e nunca lidei bem com sangue. Já a sala rodava sem parar. As vozes delas chegavam-me distantes. Não é que seja impressionável, mas estar para ali a sangrar é demais para um gajo como eu.
- Quero mais é que ele deite sangue por o…
- Fetiche! – Não fosse a Erótica interromper e ainda tinha acabado a sangrar doutro lado.
- Mas são mesmo cão e gato. Isto deve ser problemas de incompatibilidade de signos. Sentenciou por fim. – Não vos volto a deixar sozinhos!
As palavras chegavam-me cada vez de mais longe. Já via cinco eróticas e dez fetiches. Sentia o sangue a escorrer-me pelo nariz tal queda de água que sai do interior da montanha.
- Erótica, – Segurei-me a ela para não cair. – Estou a esvair-me em sangue. Leve-me para o hospital.
A Erótica conteve-se. Mas a Fetiche ria-se mesmo até ás lágrimas com o que tinha dito.
- Um gajo prestes a finar-se e ainda tem de aguentar a mordacidade? - Ali quase exânime. Prestes a expirar o meu último fôlego e era agredido com o riso histérico. Era demais até para um gajo como eu.
Depois desta frase ambas se riam sem parar.
- Só se fores morrer em tanto ranho.
- Kiinky, eu estava a brincar.
- Não estou a morrer?
Com que então a santinha também tinha uma faceta de demónio. A erótica angelical, era mas é um belzebu! Estava tramado.

publicado por Pontog às 09:29
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Sexta-feira, 15 de Abril de 2005

Continuação da continuação e ainda continuação do nosso conhecimento.

Eu também não acharia graça alguma… – Ergui-me devagar. – Se tivesse um baile a acontecer no meu nariz e os convidados tivessem resolvido sair para apanhar ar. – Quer que eu lhe limpe os convidados, Erótica?
A Erótica resmungou um:
- Não, obrigado! – Mexia as mãos, os dedos finos faziam deslizar o anel num evidente sinal de nervosismo.
- Não ia ser obrigado a limpar o seu nariz. Se fosse por obrigação não o faria. Só o ia limpar…
- Calou, Kiiinky! Calou! – Interrompeu ela, já quase a tirar um sapato ou até o burrié, para mo atirar para cima.
Fiz com a mão o gesto de um fecho transparente a selar os meus lábios. Mais uma palavra e atirava-me pela janela.
- Eu já volto, kiinky! – Mediu-me o olhar para ver se estaria a ser mordaz – Aviso-te já que te vais arrepender se estiveres a mentir.
- Se fosse a si aconselhava era os convidados a manterem-se no salão.
E eu lá sou de mentir! Um pouco talvez….Não tinha nenhum burrié no nariz no exterior. Mas tinha no interior. Logo não menti, acrescentei foi algo ao que não era. Mulheres são muito complicadas. Se acrescentamos algo, é porque acrescentamos… Se lhe tiramos algo é porque só lhe sabemos tirar. Quem é entende o bicho mulher?
O telefone tocou e eu como sou um gajo simpático atendi-o. Do outro lado perguntaram-me se era da casa da Fetiche. Bem, diga-se de passagem que hesitei em responder, mas por fim a simpatia venceu.
- ɅDaqui é da casa da transexual travesti, sim.
Do outro um silêncio enorme.
- Quer que a chame?
A chamada caiu. Ou isso ou tiveram a ousadia de me desligarem a chamada na cara. Que falta de polidez e educação.
- Linguiça era o telefone que estava a tocar? – Assomou à porta as fronhas da Fetiche com um olhar interrogativo.
- Que telefone?
- Aquele telefone! – Acompanhou a exclamação com um gesto para o local onde estava o dito. - Linguiça estou à espera de um telefonema importante, de alguém que não conheço ainda.
Mais uma vez já sentia a raiva a salivar na minha direcção.
- Ah, sim? E que tenho eu a ver com isso?
- A porcaria do telefone tocou ou não, linguiça?
Preparei uma vacina anti-rábico de Pasteur. Já estava a ver que pelo desenrolar dos acontecimentos ia precisar ministrar-lhe uma.
- Tocou.
- E parou de tocar?
- Bem…Atendi e do outro lado desligaram.
Em dois passos colocou-se mesmo à minha frente com a raiva direccionada para mim. Agarrou-me pela camisa e empurrou-me. A Fetiche deve-me dar pelos ombros. Mas tem uma força colossal. É anã mas tem os músculos desenvolvidos, especialmente os da língua.
- Agora vais-me contar o que disseste – Rosnou ela em tom ameaçador.
- Aviso já que não cedo a pressões, nem pela força!
Tentava chicotear-me com a língua. Mas eu afastava-me. Por fim lá recolheu a língua e entendeu que não aceitaria os linguados que me queria dar.

publicado por Pontog às 13:38
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Continuação da continuação do Nosso conhecimento.

Sentei-me na cadeira que estava encostada a uma parede e longe das secretárias. Não tive de esperar muito que a Erótica voltasse.
Entrou a suspirar. Olhou pela janela para o dia que se deslocava na claridade lá fora e a obscuridade no seu interior. Algo lhe estava a provocar grande abalo. Abanava o ser entre o que era e o que permitia aos outros ver. Ali da minha cadeira, tive uma certeza. A Erótica, tinha entrincheirado o ser, para evitar que o pus de tantas dores diferentes, fossem vistas por qualquer olhar. Quem realmente quisesse olhar podia decifrar parte daquela essência.
- Linguiça… – Não se virou para mim, continuou a olhar para o seu interior – Não interrompeste nada.
Gotejava dor…Tanta dor que fui salpicado por um ou dois pingos. Gotejava uma solidão silenciosa.
- Não quero sentir nada por ninguém. – Estava a dilatar ali o que pensava. Mal saísse daquela divisão ia contrair o que sentia e perante o olhar de quem só olha o aparente veriam uma Erótica. Única e simplesmente veriam o erotismo. O que ficaria por ver era a totalidade, o que mostrava era, o sentir oposto ao que sentia.
Aproximou-se do computador e eu protegi o pescoço com as minhas próprias mãos. Mexeu no rato e o monitor tornou-se de uma cor viva.
- Mas que é isto?
Entre surpresa e chocada com o que via virou-se para mim.
- O que é que fizeste kiinky? – Ainda de olhos abertos de espanto e de ira virou-se finalmente para mim. – Kiiiiiiinky! Quem te autorizou a mexer no meu computador? – Os olhos quase saíam das órbitas.
- O que é que eu fiz agora? – Senti que um rubor descia até às minhas bochechas secas declarando-me culpado. Como tenho tido aulas com uma mestra sobre desconversa, puxei a conversa em sentido inverso.
- Kiinky, responde-me imediatamente sem subterfúgios! – A voz esganiçada exigia uma resposta de imediato.
Só me sabiam acusar, por qualquer coisita, começavam logo a ensaboar-me com gritos e com a ira das suas interrogações. Eu lá era gajo para subterfúgios!
– Olhe lá o computador é seu e eu é que fiz alguma coisa? – Nos dias que correm é preciso um gajo saber desconversar.
- Kiinky, foste tu sim! – Apontou-me o dedo a acusar-me de algo que realmente fiz. Mas com as aulas de desconversa eu estava prestes a tornar-me perito em manobras de diversão.
- Oiça lá criatura para que ia mexer no seu computador? - Abanei a cabeça. Retribui-lhe o dedo no ar e apontei na direcção das fossas nasais. – Tem aí na entrada do orifício um burrié preto a acenar-me. – Não sou racista de forma alguma, o burrié até podia ser branco, que não deixava de ser de péssimo gosto o aceno dele.
A expressão de raiva, atenuou-se, para dar lugar a uma expressão de perplexidade e por fim de confusão.
- Não tenho burrié algum! - Passou o dedo pelo nariz, mas só mesmo de passagem e disfarçadamente.
- Tanto tem que agora o burrié chamou um macaco para lhe fazer companhia. – Olhei para a ponta dos meus sapatos, com uma vontade enorme de dar uma gargalhada com a atrapalhação dela.
- Kiiinky…Não, estou a achar graça alguma!

publicado por Pontog às 13:08
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