Quarta-feira, 17 de Agosto de 2005

Um Dia…de merda

Era um dia importante. Todos os dias são importantes, agora que penso nisso. Mas este revestia-se de uma importância incomum. Pelo menos pelo modo que eu via… Começou como um pronuncio, acabou com uma certeza: um dia de merda.

Coloquei o despertador a tocar para mais cedo, para ter tempo para me despachar atempadamente e sem correrias: não tocou. (havia faltado a luz durante a noite).
Começo auspicioso.
Levantei-me então já atrasado, lá se foram os meus minutos de não-stress. Saltei da cama, fui tomar banho, entrei na banheira e para demorar menos tempo liguei a água já lá dentro – coisa que nem costumo fazer, mas como já disse era um dia especial – nu, atrasado, com a pasta de dentes e a escova na boca e a esfregar, ligo a água já do dispositivo chuveiro: sai água barrenta. Fiquei com uma camada de lama em cima e embora agradeça aos senhores responsáveis pelo saneamento da minha zona habitacional a preocupação em hidratarem-me a pele com um tratamento à cútis, não era o melhor dia. Ao fim de algum tempo (demais para os meus intentos de sair de casa a horas) a água começou a sair mais normal sem tratamentos argilosos. Mas engasgou-se quando estava a meio de me ensaboar. Comecei a suspeitar do meu dia…mas pouco tempo, porque tempo era algo que não tinha. Depois de rogar a tudo a água desengasgou-se e os canos produziram o suficiente para eu tirar a espuma e desopilei da banheira o mais rápido possível e tive uma aceleração rápida, porque no meio da pressa e correria apanhei boleia do tapete que me fez lembrar o andar de patins. Vesti-me o mais rápido possível e não fosse uma problemática com as meias que não eram da mesma cor e que tive de ir apanhar na corda da roupa outras, até nem tinha saído tãooo atrasado quanto isso. Agarrei as chaves de casa e coloquei no bolso das calças, nas pastas e fui a colocar a gravata ainda nas escadas… A vizinha que encontrei entre os andares ficou a olhar para mim e só quando encontrei o miúdo do terceiro andar e ele apontou, é que me apercebi que não tinha tirado os papéis da cara que ajudaram a estancar o sangue dos cortes da barba. Aos tropeções no skate do irmão gémeo do puto do terceiro agarrei-me a fim de me equilibrar para não dar um bate-rabo e ai sim não sair para mais lado algum: ao peito da vizinha… ela gritou, e atirou-me com o pão que trazia da rua…acabei por ficar polvilhado de farinha. Pedi desculpas ao mesmo tempo que me protegia, mas o rubor surgia. Ainda levei uma dentada nas canelas do cachorro: Farrusco que pensou que eu estava a atacar a sua dona. Sai rápido dali…e fui ver se conseguia libertar-me daquela mala pata… As chaves que estavam penduradas no bolso das calças caíram…num autêntica e grandessíssima poia que estava no passeio: -Que Merda! – Mesmo em cheio… peguei num pau e embrulhei as chaves num papel retirado da pasta…o primeiro que agarrei. Não podia perder mais tempo naquilo…
Corri para apanhar o transporte, e exactamente no trajecto o aspersor da relva do jardim que tinha de atravessar resolveu trabalhar e dar-me um valente banho. O meu fato bom, o melhor ficou miserável! Corri…e ao chegar à paragem estava a partir naquele momento a camioneta. Perdi-a…e a que se seguiu nem parou pois vinha cheia.
Rico serviço! Porra!
Apanhei um táxi… tentei subornar o motorista para ir o mais rápido possível.
O homem era demente…só falava no preço excessivo das próteses dentárias.
Amaldiçoou meio mundo e queixava-se de um cheiro estranho… (nem me lembrei das chaves). Num sinal qualquer decidiu embirrar com um transeunte que segundo ele passou fora da passadeira: saiu do carro para ir discutir com ele. Sai e deixei o dinheiro no banco. Entrei no metro. Sentei-me. Devia ter estranhado o miúdo que estava à minha frente estar tão branco. Vomitou-me os sapatos.
Cheguei ao emprego. Atrasado. E a cheirar mal. Tinha de beber água e tentar recompor os estragos.
Cheguei à máquina da água …ao encher o copo a máquina esguichou a bendita água nas minhas calças. Porra além de parecer que me urinei, a água fria gelou-me as bolas!
Fui até à casa-de-banho, utilizar-me dos secadores de mãos.
A água era tanta que o mais rápido era mesmo despir as calças e secar…ao menos utilizava assim os dois secadores e sendo WC de homens, não havia problema de ser apanhado com as calças nas mãos…pois sim! A meio da secagem entra a senhora da limpeza para a manutenção…apanhou-me com as calças nas mãos…e…bom, belo dia para levar o fio dental oferecido pela namorada para dias especiais!
– Ai, belas bochechas..! (sorriso abafado …que passou a gargalhada declarada e sonora). Olhei para trás e reparei na Sra. A mirar-me a parte traseira. Entrei num cubículo e vesti as calças o mais rápido que pude. Saí às pressas dali enquanto ela me lançava um olhar de: se te apanho…e continuava a tentar abafar as gargalhadas, não conseguiu…Sai aos arrecuos da toillet ainda a esfregar e a sacudir a braguilha…e encontrei o chefe a olhar para mim, reparei-lhe nos sapatos e olhei para cima…perscrutava-me e por fim acrescentou: apresento-lhe a minha mulher e indicou com a mão e um olhar para a pessoa que o acompanhava e que me tinha passado por completo…estiquei a mão ainda com o papel higiénico na mão. Reparei e saiu-me um: - Oops!
O chefe quebrou o embaraço com um acrescento: -Espero o relatório daqui a pouco. – Sorriu e seguiu caminho.
-Com certeza, vou já lá entregar. – Disse eu.
Abri a mala e procurei em todas as pastas o relatório. Nada. Nem sinal! Pensei que o tinha esquecido em casa…
O meu dia desenrolou-se em breves segundos à minha frente. Mentalmente.
As Chaves de casa…O papel…O(u) relatório...
Grande Bosta! Grandessíssima Merda!

(Olho para o relógio e ainda nem são 12h…)


SeeUArround e afins... ;)


publicado por Pontog às 17:43
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