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Sexta-feira, 15 de Abril de 2005

Continuação da continuação do Nosso conhecimento.

Sentei-me na cadeira que estava encostada a uma parede e longe das secretárias. Não tive de esperar muito que a Erótica voltasse.
Entrou a suspirar. Olhou pela janela para o dia que se deslocava na claridade lá fora e a obscuridade no seu interior. Algo lhe estava a provocar grande abalo. Abanava o ser entre o que era e o que permitia aos outros ver. Ali da minha cadeira, tive uma certeza. A Erótica, tinha entrincheirado o ser, para evitar que o pus de tantas dores diferentes, fossem vistas por qualquer olhar. Quem realmente quisesse olhar podia decifrar parte daquela essência.
- Linguiça… – Não se virou para mim, continuou a olhar para o seu interior – Não interrompeste nada.
Gotejava dor…Tanta dor que fui salpicado por um ou dois pingos. Gotejava uma solidão silenciosa.
- Não quero sentir nada por ninguém. – Estava a dilatar ali o que pensava. Mal saísse daquela divisão ia contrair o que sentia e perante o olhar de quem só olha o aparente veriam uma Erótica. Única e simplesmente veriam o erotismo. O que ficaria por ver era a totalidade, o que mostrava era, o sentir oposto ao que sentia.
Aproximou-se do computador e eu protegi o pescoço com as minhas próprias mãos. Mexeu no rato e o monitor tornou-se de uma cor viva.
- Mas que é isto?
Entre surpresa e chocada com o que via virou-se para mim.
- O que é que fizeste kiinky? – Ainda de olhos abertos de espanto e de ira virou-se finalmente para mim. – Kiiiiiiinky! Quem te autorizou a mexer no meu computador? – Os olhos quase saíam das órbitas.
- O que é que eu fiz agora? – Senti que um rubor descia até às minhas bochechas secas declarando-me culpado. Como tenho tido aulas com uma mestra sobre desconversa, puxei a conversa em sentido inverso.
- Kiinky, responde-me imediatamente sem subterfúgios! – A voz esganiçada exigia uma resposta de imediato.
Só me sabiam acusar, por qualquer coisita, começavam logo a ensaboar-me com gritos e com a ira das suas interrogações. Eu lá era gajo para subterfúgios!
– Olhe lá o computador é seu e eu é que fiz alguma coisa? – Nos dias que correm é preciso um gajo saber desconversar.
- Kiinky, foste tu sim! – Apontou-me o dedo a acusar-me de algo que realmente fiz. Mas com as aulas de desconversa eu estava prestes a tornar-me perito em manobras de diversão.
- Oiça lá criatura para que ia mexer no seu computador? - Abanei a cabeça. Retribui-lhe o dedo no ar e apontei na direcção das fossas nasais. – Tem aí na entrada do orifício um burrié preto a acenar-me. – Não sou racista de forma alguma, o burrié até podia ser branco, que não deixava de ser de péssimo gosto o aceno dele.
A expressão de raiva, atenuou-se, para dar lugar a uma expressão de perplexidade e por fim de confusão.
- Não tenho burrié algum! - Passou o dedo pelo nariz, mas só mesmo de passagem e disfarçadamente.
- Tanto tem que agora o burrié chamou um macaco para lhe fazer companhia. – Olhei para a ponta dos meus sapatos, com uma vontade enorme de dar uma gargalhada com a atrapalhação dela.
- Kiiinky…Não, estou a achar graça alguma!

publicado por Pontog às 13:08
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