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Quinta-feira, 5 de Maio de 2005

Uma mão cheia de nada...

pc1.jpg

Mais uma pesquisa para desenvolver e eu sem vontade ... lembrei-me de Navegar, um pouco à deriva, pela Net, observei um Icon que indicava o acesso a um chat e resolvi entrar.
Era a 1ª vez que o fazia... até então nunca ouvira falar em chats e parei para observar... várias pessoas teclavam e pareciam conhecer-se bem. brincavam, comentavam temas - uns mais interessantes que os outros - alguns nicks chegavam mesmo a discutir... estranho... como seria possivel relacionamentos tão "reais" num mundo "virtual"?
No dia seguinte voltei - que se lixe a pesquisa - e coloquei nick. Arrisquei umas palavras. Um timido Bom Dia... decerto ninguem me responderia, pensei... mas pensei mal. Todos me cumprimentaram e eu sem saber o que fazer à vida. E agora? Bem... vamos lá ver como me saio neste mundo tão estranho para mim... Teclei, não compuz uma personagem. Limitei-me a ser eu... coloquei duvidas, sempre me esclareceram com boa vontade. Pouco a pouco comecei a compreender o que era o "virtual", o que era um chat... e também o que levava a maioria daquelas pessoas, ou nicks como preferirem, a frequentar chats.

Já lá vão alguns anos e continuo a frequentar chats. Como já tive oportunidade de afirmar, gosto de o fazer :-) Gosto de teclar, de brincar, de provocar e ser provocada... ver reacções, sentir quem está por detrás de um nick e gosto muito de sentir reacção em mim mesma quando algum nick puxa por mim... dá "pica" lol

Neste contexto, e aí está a razão de ser deste post, alguem me questionava: "E o que retiraste destes anos de virtual? Uma mão cheia de nada?"
- Tanto quanto se retira através da observação do "real" com alguns acréscimos.
Vi pessoas para além dos nicks; empatias; paixões; tive conhecimento de alguns casamentos que resultaram de conhecimentos on-line; também de outros tantos divórcios... (lol).
Não nos esqueçamos que no "virtual" é fácil manter uma aparência, compor uma personagem que nem sempre é sinónimo de uma mentira. Quantas vezes não revela um outro "Eu" encoberto, reprimido...
Outras, não passa de composição mesmo. Mas também não nos podemos esquecer que com a continuação de teclar a essencia revela-se e as máscaras caem... e aí surgem na maioria dos casos, as grandes desilusões. Acaba por sair sempre alguém magoado nessas "histórias"... No virtual nem tudo são flores...
Mas, e convém realçar, já me fez chorar a rir ... Nunca me esquecerei das horas divertidas que por lá passei ao longo destes anos. Há momentos inesquecíveis... só o facto de os recordar me faz sorrir :-)

Também me perguntavam " Mas como pode surgir empatia através de teclas?"
- Tal como no "real" com uma diferença: no "virtual" tudo é vivido com mais intensidade. Horas de teclas revelam muito de quem está do "outro lado", mesmo que disso não se apercebam facilmente.

"E como se nota quando surge o tal "clic" entre nicks?"
- Pelo borbulhar de emoções, quase palpavel, quando esses nicks estão juntos... (é lindoooo de se ver :-) )

" E não corremos o risco de relegar as nossas amizades "reais" para 2º plano em benefício das "virtuais"? "
- Quando se trata de pessoas equilibradas, inteligentes e emocionalmente estáveis, não creio que isso aconteça :-)

Não me vou alongar mais. Agradeço a quem me colocou as questões pois mesmo sem disso ter consciência levou-me a refectir e a fazer um balanço destes anos de "virtual". O virtual não é nem nunca será um substituto do real... quem assim pensa está errado. Não condenem o virtual se nunca por lá passaram. Tem de tudo... Bom e mau...

"... Uma mão cheia de nada?" Naaaa!!! Uma mão cheia de Emoções... pc2.jpg

Tenham uma noite descansada

Até Breve e não esqueçam ... sejam felizes ;

Erotica



publicado por Pontog às 03:05
link do post | Dedos Marotos | favorito
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6 comentários:
De Anónimo a 8 de Maio de 2005 às 14:33
Adorei ler esta tua reflexão,e basicamente concordo com todas as conclusões que nos deixas.
Eu próprio era um critico destas coisas do virtual até entrar nelas.Agora parece-me que se não tivermos cuidado se pode tornar num vicio pior que o tabaco.Bom domingo.Bjs.Art Of Love
(http://bizaazul.blogspot.com)
(mailto:bizaazul@iol.pt)


De Anónimo a 7 de Maio de 2005 às 23:05
ihihihi... ;-)= SeeUArround...beijos e afins Fetiche
</a>
(mailto:fetiche1@sapo.pt)


De Anónimo a 7 de Maio de 2005 às 15:17
Ainda vais ter que me explicar que "afins" são esses.... :-ppppp Erotica
</a>
(mailto:Eroticaa@sapo.pt)


De Anónimo a 7 de Maio de 2005 às 09:30
Beeeem, olha acho que consegueste mostrar tudo trazendo à luz esse escrito de Letícia Thompsom...é isso mesmo! está um must..mas sobretudo verdadeiro ;) Pode-se sempre debater conceitos, eu, bom eu vivo... ;)= SeeUArround...beijos e afins...Fetiche
(http://pontog.blogs.sapo.pt)
(mailto:fetiche1@sapo.pt)


De Anónimo a 6 de Maio de 2005 às 20:20
Ena Fetiche!!! Mais inspirada que nunca... ;-) Concordo com tudo o que expuseste no teu comentário... aliás nem poderia deixar de ser assim, a nossa realidade "virtual" tem sido muito próxima... acerca da Amizade tenho algo a acrescentar. Penso não me ter explicado muito bem no post, mas a hora e o cansaço não ajudaram muito. Claro que não vejo qualquer diferença entre verdadeiros Amigos, tenha o conhecimento entre essas pessoas sido desenvolvido no "Real" ou no "virtual". Afinal o conceito de Amizade é só um... O que tentei dizer reportava-se à angústia e receio manifestadas por algumas pessoas em que o seu familiar ou Amigo se isole... se afaste do Real em prole do Virtual; que deixe de sair com Amigos para ficar junto ao computador... è obvio que isso não é, de todo, saudável e essa preocupação é legitima. Afinal, os riscos do "virtual" são imensos, mas não o serão também os do "Real"? No entanto, nunca poderemos confundir Amizade com sentimento de posse e não devemos utilizar essa Amizade de forma a obrigar o/a nosso/a Amigo/a a agir em conformidade com a nossa vontade e opinião mesmo que seja contrária à dele/a. Há momentos na vida em que podemos preferir a "companhia" (virtual) de estranhos á companhia de pessoas próximas. Momentos de reflexão... Mas como tudo na vida, não passam de momentos... Um Amigo "virtual" pode ser alguém a quem nunca cheguemos a conhecer o rosto ou ouvir a voz... O que não invalida que tenha tido um papel importante num determinado momento da nossa vida... Num dos meus passeios pela Net descobri um texto que me parece descrever bem uma amizade de chat... Não resisti à vontade de o partilhar...

"Amigo Virtual

Vou abrir as portas do meu computador!
E N T R E !!
Traga pra mim esse gostoso riso que nunca ecoa!
Conte pra mim suas velhas histórias, deixa que eu me deite
em seus ombros invisíveis e segure suas mãos firmes!...
Não sei olhar em seus olhos,
Não sei sentir seu olhar. E suas palavras entram
direitinho no meu coração. O mundo parece tão
pequeno atrás dessa rede!
Ah! Você vem
E eu nem sei de onde
Sem passaporte atravessa as fronteiras, do limite do
impossível, trás paz e consolo, uma palavra,
um verso e colorida flores sem perfume, mas que são
Bálsamo para a alma...
Vou abrir minha casa para que você entre!...
Tome um café com bolo,
Me conte de você, permita que eu ria de seus risos,
E deixe que eu seque suas lágrimas, se preciso for.
Você não é apenas um nome que se
esconde atrás de um arroba, você tem alma
e asas, como os verdadeiros anjos...
Você tem um "eu"
Que precisa e deve ser respeitado, que precisa e deve ser
amado. De virtual, na verdade, você não tem nada!!!
Claro!!! Meu café não tem sabor
E meu bolo não é doce, quando virtual,
Mas meu carinho e meu amor são, nessa rede toda,
Tudo o que tenho de mais real.
Então...
Entre sem bater!!!
Sente-se!
Tem café, bolo e minha
amizade esperando por você atrás da tela
DESSE MEU COMPUTADOR. "

(Letícia Thompson)
http://foruns.terravista.pt/SForums/$M=readmessage$TH=3648749$F=52971$ME=9449757

:-) Fiquem bem, beijinhos Erotica
</a>
(mailto:Eroticaa@sapo.pt)


De Anónimo a 6 de Maio de 2005 às 15:57
Eis algo que à uns tempos encontrei e a modos que definia bem o que pensava..eis senão quanto, de modo pertinente chamaste a nós o tema… está em…


http://www.meiradarocha.jor.br/index.pl/o_mito_do_virtual

“(…) concepção mental não é algo irreal, "virtual", porque nossos pensamentos são coisas reais e materiais: pelo que se sabe do cérebro, hoje, os pensamentos são definidos por ligações sinápticas entre células nervosas. Nossas concepções mentais, nossas idéias, nossos sentimentos, conceitos, nossa imaginação, tudo isto são coisas físicas, interações entre células nervosas mediadas por neurotransmissores e energia elétrica. Pensamentos são esmagadoramente físicos. Não são exatamente coisas, mas interações entre coisas aparentemente físicas, que por sua vez são interações entre outras coisa, que são interações entre outras coisas, infinitamente. Tudo no universo é resultado de interações entre fenômenos, num complexo "joguinho de armar".
Ambientes virtuais
Por que sistemas de ensino por computadores em redes seriam "virtuais"? Em oposição ao ensino presencial? Vamos analisar, então uma interação presencial.
Quando pessoas se encontram ao vivo, elas só sabem da presença da outra pelos cinco sentidos do ser humano.
• Visão
Vemos outra pessoa graça à luz. Então somos mediados pela luz. Não vemos a outra pessoa, vemos a luz que refletiu nela e chegou às nossas retinas.
• Audição
Não ouvimos a pessoa: ouvimos as vibrações no ar feitas pela outra pessoa.
• Olfato, gustação, tato
Podemos sentir o cheiro da pessoa. Mas o que sentimos são informações nervosas desencadeadas por substâncias exaladas pela outra pessoa e que chegam ao nosso sistema olfativo. Da mesma forma, o tato e a gustação.
Estes três últimos são sentidos que nos informam sobre outras pessoas, mas não são muito usados na educação. Portanto, não me interessam neste momento. Vou me ater à visão e à audição.
O que não é virtual?
Uma interação "ao vivo", então, é mediada pela luz e pelo ar. Nas interações por computador, estes dois meios são traduzidos mais algumas vezes: a luz e o som são transformados em impulsos elétricos, depois digitalizados, transformados em orientações magnéticas (nos disco de computador), em energia elétrica (nos circuitos eletrônicos), em luz (nas fibras ópticas), em ondas eletromagnéticas, etc, e decodificados novamente na outra ponta da comunicação. O que aconteceu, na verdade, foi traduzir algumas vezes a informação, mediar mais algumas vezes uma mediação que já existia. Toda interação é mediada, não importa sua natureza. Isto acontece com pessoas ou com qualquer outra coisa no universo.
Não existe, a rigor, diferença entre uma interação ao vivo e uma interação por computador, a não ser na forma de maior resolução e qualidade da mediação. Uma interação ao vivo tem maior resolução, maior quantidade de informações que uma mediação por computador. Mas também é mediada. Sendo ambas interações mediadas e tendo ambas a mesma natureza, como todas as mediações, não faz sentido diferenciá-las, a não ser pelo nome da mídia: interações ao vivo, interações online, por exemplo.

(…) Como significado oposto ao real, não devem ser usados porque todas as interações que existem no universo são reais, inclusive a imaginação. Ou, visto pelo ângulo da Semiótica, todos os fenômenos do universo são significações. (…) “
…Agora respondendo às mesmas perguntas colocadas e fazendo valer da minha experiência e realidade, porque não é nada inventado…

Também me perguntavam " Mas como pode surgir empatia através de teclas?"

Como disse Marguerite Yourcenar no livro “as memórias de Adriano”: “a palavra escrita ensinou-me a escutar a voz humana” (ó se ajudou…)


E como se nota quando surge o tal "clic" entre nicks?"

Bom, quando o cobrador pica o bilhete, talvez..ehehhe…esse bilhete pode levar a tudo e nada e assim… é perceptível, tal como ao vivo e a cores ….


" E não corremos o risco de relegar as nossas amizades "reais" para 2º plano em benefício das "virtuais"?"

O risco da vida…como concordo que é tudo real… sentido, tudo vale…. Amizade é amizade, logo sempre real…há diferença? :p




SeeUArround…beijos e afins…

Fetiche
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(mailto:fetiche1@sapo.pt)


Dedos Marotos

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