.....

Quinta-feira, 12 de Maio de 2005

Sismómetro dos conhecimentos

Um olhar contrafeito, besuntado de uma moral manhosa, disse-me:
- A vida é um jogo. Ou jogas ou és jogada.
Falam como o Apocalipse e eu que vos vejo já como bestas das minhas catacumbas onde todos se refugiamos para não nos enfrentarmos. Arqueio-me, passo além.
Nestas catacumbas dos heróis mortos nas nossas batalhas do dia-a-dia. Um pouco de nós foi ao longo do caminho tornando-se numa memória do que fomos. Mantenho os fantasmas envoltos no meu carinho. Fantasmas, heróis mortos.
Quase Valhalla…Quase. Onde acreditam que tudo se joga….Foi aí que mataram um pouco de vós. Foi aí que se tornaram os fantasmas que ainda não consigo pedir que descansem em paz. O hidromel, esse nunca nos será servido.
A vida é um jogo? É, realmente a vida é um jogo. O meu jogo é o do voltarete. Todas as cartas que tenho foram-me oferecidas. Todas vinham comigo. Todas!
A primeira carta foi o meu grito. Antes deste acontecer, já tinha comigo as cartas para jogar nos vossos jogos, que em nada diferem das vossas. Nem as utilizo melhor ou pior. Cada qual faz com as tais “cartas” o que bem entender.
Mas jogo até que o entenda e sabem isso perfeitamente.
Se deixar de jogar, incêndio as catacumbas e deixo a cinza fria a jazer no esquecimento.
Nunca precisei ir ao baralho. Nem iria. Mas sei que vão ao baralho e jogam o que não é vosso, nem meu. Não sei de hoje. Sei que sempre foi assim. Sei que com o tempo foi piorando. Que hoje já não se recordam que chegaram a acreditar.
Nasci e não devia querer nascer. Amassaram-me para me retirar do paraíso. Dei então o meu primeiro grito. O primeiro de muitos. Esta foi a minha primeira carta, a de conseguir exprimir sentimentos, fosse pelo som, fosse pela expressão, mesmo que ainda numa forma rudimentar. Já era uma carta minha.
Até ter um ano nunca falei. Motivava preocupação. Imagino que muita. Mas nem assim me arrancaram as tradicionais palavras. Não falava, não queria falar e não falava. Quando falei disse uma frase completa. Depois já ninguém podia conter o rio de palavras. A minha segunda carta, foi esta. O descobrir que posso articular um pensamento, uma dor, uma alegria.
Não queria andar, não queria gatinhar. Quando por fim resolvi andar, já nem os obstáculos me faziam desviar. Esta foi a terceira carta. Podia mover-me, podia mudar de rumo em qualquer altura da caminhada, ou podia simplesmente escolher não me desviar e embater frontalmente com o que me impedia de continuar.
Comecei a ler, sem ninguém me pedir para começar. Não era o meu tempo. Suponham que esperaria por um pedido? Ou que respeitaria a altura certa? Existe uma altura certa?
Mas eu tinha disso? O meu tempo é o do entendimento, das descobertas. Só tenho esse tempo. Os outros tempos sempre se viram renegados por mim. Esta foi a quarta carta a que me mais descobertas me ofereceu.
Sei hoje como sabia quando tinha doze anos vou passar a vida entre procurar entender-me e entender os outros. Se tenho de ter um tempo…Então o meu tempo é de procura.
Semicírculo ou círculo que por vezes projecto em numa linha sinuosa que de tão recta se mistura com todas os vossos pensamentos fecais.
Quero que saibam que sempre fui vulgar. Quero que saibam que sempre quis ser vulgar a roçar o ordinário. Que se nunca fui, sempre quis saber como era ser assim. Mas quero crer que ao menos tentei ser. É uma das minhas cartas. A de deixar o meu ser andar livre, mesmo que as tentativas acabem em fracassos. Ao menos tentei. Mas vocês que são os ilustres. Vocês que sabem combinar essa agonia sorumbática com o aparente, não podem entender isto, pois não?
Atirei um harbeas corpus e escapei-me às vossas grades. Mas na realidade, nunca as conheci. Quem sempre esteve preso, foram vocês com as vossas culpas formadas.
Vejo-vos nessas vossas oscilações. Sigo a linha que vou tracejando, sigo todas as linhas que ainda vou fazer. Sigo a linha do que me neguei ver. Sinto o tremor o sismómetro regista o dia do fim. Dia 10.

publicado por Pontog às 12:32
link do post | Dedos Marotos | favorito
|

..

Imagem(037).jpg

.Mais sobre Nós

.pesquisar

 

.Fevereiro 2007

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
16
17

18
19
21
22
23
24

25
26
27
28


.Posts recentes

. Regressei (acho..)

. Vem aí o Natal...! Ho!Ho!...

. Catálogo púbicus! (perdão...

. Voltei...

. To whom it may concern...

. Os sonsos...

. Dia do Egoísmo (Reposição...

. A história D'el feijão má...

. Feliz Aniversário, Kiinky...

. O primeiro beijo

.Preliminares

. Fevereiro 2007

. Novembro 2006

. Setembro 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

. Abril 2005

. Março 2005

. Fevereiro 2005

. Janeiro 2005

.tags

. todas as tags

..

eXTReMe Tracker

.Interesses Especificus

SAPO Blogs

.subscrever feeds