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Terça-feira, 19 de Julho de 2005

Desfecho de uma tragédia anunciada.

Uma réstia de luz. Era tudo o que nos restava. Fizemos os nossos caminhos, escolhendo atalhos ou desbravando a floresta ainda virgem. Ainda sem antes ter sido palmilhada. Ou se foi, para nós sabia tudo a novo. Devo-vos ter guiado. Pelo que entendi nas vossas palavras, sempre me viram como a lanterna que ilumina no meio da obscuridade. Da vulgaridade. Eu, a lanterna. Lanterna que nunca quis ser. Algures nessa caminhada de mãos e sentires que se estreitam, parei a olhar para um alpendre. Foi aí que fiquei a balançar-me nas palavras enquanto vos via seguir viagem. Plantei o meu ser ali. Plantei a vossa amizade nas palavras que balançava. Somos a superfície de uma longa amizade.
Veleidade. Somos a esterqueira do aparente.
Tive de vos enfrentar com a minha realidade. Nessa altura ainda algo restava. Mas o que vos disse não vos soou como a minha verdade.
- Degola-nos com o que dizes.
- Se tal faço, ao degolar-vos, começo por me degolar a mim!
Nem se chegamos a agitar convulsivamente. A conversa tornou-se lacónica e tal como começou caiu no torpor dos nossos hábitos. A agonia de saber que vos bastava o meu aparente, começou a soltar-se pelos poros. Formou uma poça, mais tarde um poço. E por fim afoguei-vos.
Ofereci o meu aparente em sacrifício. E tentei penitenciar-me por não ter sabido mostrar-vos mais do que sou e menos do que gosto que pensem que sou. Mas o nosso niilismo já tinha tomado conta de tudo.
Embriagados na forma como me viam, nem viram que se eu era a lanterna…Então acabei mesmo por me fundir com a noite. E só ficou a escuridão.
Hoje nem luz já existe para nos orientar. Mas sinto ainda o rumor do que foi uma grande amizade. Esquartejo o que resta com o que digo. Empunho a arma, acabo aqui e já com isto. Disparo na vossa direcção e eis que acontece o ricochete.
Não sentiram. Nem podiam sentir que ao disparar contra a amizade, disparava contra mim. Na altura nem a mim me ocorreu tal. Como a amizade não tombou, não se aperceberam que eu sucumbi ali. Foi naquele momento que entendi que já nada restava.
Pediram-me tréguas de uma guerra que segundo todos tinha sido começada por mim. Comecei a guerra da minha verdade!
Se só conseguem ver a minha essência como se fosse um laxante para vos levar a reagir, que conhecem vocês de mim?
- Suspende por hoje a arma que trazes sempre carregada. Pode ser?
Desde crianças que bem que viam o revolver das acções bem recortado, sempre pronto a atirar, junto da conversa. Com os anos até aderiram a uma brincadeira e pediam suavemente:
- Estruma-me o pensamento que hoje tive um dia péssimo.
Marquei-vos a ferro. Com um ferro em brasa marquei-vos como se fossem bestas. Pedi-vos o impossível. Hoje sei que vos pedi que seguissem a minha cadência de demente. Um enigma responda com outro enigma. Subi a fasquia. Ao longo dos anos…Mais e mais alto. Lembro-me de ti…E de ti…E ainda de ti. Recordo-me quando éramos crianças. Será que ainda se recordam. Vejo-me a tentar afastar-vos. Repelia-vos. No entanto nunca me deixaram só. Sei que disse muitas vezes que a vossa presença era maçadora e só me cansava. Sei também que por ser a mais nova, ficavam a olhar para mim abismados com a quantidade de disparates que conseguia dizer. Mas para vocês não eram disparates. Primeiro estranharam…Depois entranharam-me.
- És uma menina diferente. – Como se isso só por si explicasse tudo. Como se isso só por si explicasse que vos açoitasse com a minha estranheza.
Depois seguiam-me. Como se fosse importante serem aceites. Penso que vos disse uma baboseira assim. Eu consigo dizer tantas. Zurro palermices!
Sem a vossa amizade a minha adolescência teria sido um saco vazio. Serão sempre importantes para mim. Mas gostam do que aparento. Não daquilo que sou. Isso talvez seja algo que desconheçam. Ou se conhecem, preferem que seja um ser gradeado. Preferem que deixe os outros estonteados. Preferem esta aparente aspereza de estar, a lidar com alguém exacerbadamente sensível.
Nessa altura ainda eram os meus amigos. Não tentavam ser uma réplica do que sou. Eu sou o aparente que origina um equívoco. Assim como cada um de vocês é hoje pouco mais do que o aparente.
Não é fácil conviver comigo. Mas heroicamente eu pensei que tinham sobrevivido a esta maneira de ser que pode caustica. Sei. Sei que com o tempo passaram a sorrir e entendiam que não existia agressividade. Só uma enorme sede por entendimento. Procurava reacções. Procurava entender. Com tanta voracidade…As vossas essências perderam-se. E a minha essência essa habituou-se a mostrar o que podia surpreender pela negativa os outros.
- Somos teus amigos. Como podes pensar tal anormalidade!
Entendam-me amigos, sei que não perdi o vosso carinho e em parte admiração por este estar que pode ser aberrante. Esta provado que por mais que diga e faça nunca vos perderei. Eu sou o vosso enigma. A pessoa que querem ver como diferente. Esta na hora de vos esclarecer que o que sentem por mim não é real. Gostam do que mostro. Não do que sou.
Ó amigos que não viram…


- Mas que é isto? Quem é que abriu o esgoto a esta gaja, este gajo ou isso? Eu sou gajo para lhe atirar com desdém se continua a vir escrever aqui!
-Olhem lá criaturas mas afinal este espaço é do Kinky ou é dessa gaja que tem a mania que é acrobata?
Só me faltava além de aturar o vosso delirium tremens também ter o de aturar o desta gaja! Com a bazófia desta criatura posso eu bem.
Escreveu à toa. E no meu espaço! Exijo saber quem é esta gaja!
Fetiche e Erótica ou elucidam-me ou levam com uma baforada de cólera!
- Quem és tu ó gaja?
- Népias. Sou a Népias.
- Ah sim? Então badale-me o alarve e depois chupe a preceito.

publicado por Pontog às 13:38
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2 comentários:
De Anónimo a 19 de Julho de 2005 às 22:20
"Primeiro estranharam…Depois entranharam-me." Familiar esta afirmação, mas para falar verdade, muitas vezes entranham-se, sem se estranhar...e temos a mais agradavel das surpresas da vida: a Amizade.
As pessoas precisam umas das outras, de facto...é um dos factos que dá valor à vida, enobrece-a, mostra que não passamos pelo mundo e não se deixa marca, até porque vivemos enquanto houver memória que se lembre de nós... Portanto a Népias da forma como "marca" o mundo é uma pessoa...er...marcante. Isso não é mau, porque também é marcada. É comércio ao mais pessoal nível. Mas a diferença está no que se espera das pessoas que nos marcam e que marcamos. O ponto de viragem está no que a pessoa é e o que se queira que ela seja e esse tipo de coisas...respeitar a individualidade, receber o que a pessoa em nós deposita, dar espaço para que seja o que ela quer e não o que queremos...controlar as nossas espectativas ou a nossa imaginação e arredar o que desejamos ou achamos correcto para a Amiga...só assim a pessoa é livre, o que está intimamente associado à palavra Amigo... não condicionar directamente um conselho com o deve ser. Evolução... todos somos únicos o que se faz ou interpreta isso é que pode ser o...desafio maior... Olhar e ver, aceitar para aproximar, sem forçar a nossa própria visão...A "menina" virou moça... Sensível e de uma sensibilidade cativante quão frágil...Népias de aparente, népias de tabuletas, de rótulos... Apenas liberdade para ser e sentir que a moça- menina é o sentir que sabe ser...Népias brilha com luz própria, qual pirilampo (tem é vida mais longa). Kiiinky seu desaparecido em Ibiza...estás danado? Aguenta e não choraaaa...! Beijos ( sem ser nas bochechas, que sendo tu um magrelas, nem imagino onde os "beijos repenicados " da Eros vão parar...! Moço e keep safe... ;-P Fetiche
</a>
(mailto:fetiche1@sapo.pt)


De Anónimo a 19 de Julho de 2005 às 15:56
Hesitei em comentar as palavras da Népias. Quanta tristeza, qta angústia nessas palavras... será que essas pessoas que cresceram com ela, partilharam angústias e alegrias, nunca se aperceberam de quem era, na realidade essa menina que sempre esteve presente? Será que não se preocuparam, nunca, em ver o que estava por detrás do aparente? "ver"... eu já me contento em utilizar este termo... Amigo não se limita a ver, Sente. Sente o que está encoberto pelo aparente. Será que estavam tão preocupados consigo mesmos, em manter a companhia da Amiga que nem por um segundo pararam para pensar nas necessidades dela? Dar... e não só, Receber... Não conheço as pessoas em questão, logo, não vou tecer juízos precipitados. Não faz parte da minha forma de ser ou estar na Vida. Limitar-me-ei a desejar que essas pessoas leiam este Post. Consigam "ver" e "sentir" o que está para além de simples palavras...e estas palavras dizem tanto... Acredito na força da Amizade. Acredito que em breve esta menina que entretanto "cresceu" se sinta em casa quando estiver na companhia dos seus Amigos...

Kinky que felicidade tornar a ler-te :) mas... XIU !!! Não queres q utilizem o teu espaço, toma conta dele... ai ai !!! E vê lá se páras com esse mau feitio. Vai à praia, dá um mergulho, refresca as ideias... o que tu queres sei eu!!! ;) Tanta coisa para te dizer que Gosto Muito de Ti e que adorei (re)ler-te lol Recebe muitossss beijinhos repenicados nessas Bochechas e abracinho e tudo e tudo lol (estas são mesmo lamexices de Erótica eheheheh)Erótica
(http://www.pontog.blogs.sapo.pt)
(mailto:Eroticaa@sapo.pt)


Dedos Marotos

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